Não
aperto a pasta no meio. Custei a aprender, mas aprendi. Aperto o tubo de baixo
para cima. Sempre que abro um tubo novo, aperto do lado oposto à saída do creme.
Isso me desobriga de abaixar pra pegar o troço caído. Explico-me: como não
enxugo as mãos depois que lavo o rosto, a pasta me escapa.
Eu
poderia ter resolvido o problema há muito, mas não me angustia nem me
traumatiza manter as mãos molhadas, é que simplificar minha vida me faz agir de
um jeito que seja o mais rápido.
Já
que eu tenho bolso sensível, nunca fui de usar, portanto não uso e logo não
usarei, não uso duas toalhas de rosto por semana, uma vez que a máquina de
lavar é limitada a onze quilos por lavagem.
Logo,
é lógico que o problema não é comprar toalhas de rosto em dobro, assim como não
é o valor da conta da luz, o drama é, no fundo por um acento tão mais dramático,
estas costas torturarem-me.
De
tanto abaixar para recuperar o que me escapole das mãos, vivo testando a
flexibilidade dos nervos. Este teste permite a previsão mais emotiva do quanto,
na próxima abaixada, a cachola me desnorteará.
Em
perspectiva, o tubo precisa ser espremido para o dentifrício ser expelido sem
desperdício, a máquina opere respeitando-se o limite da carga a ser limpa e a aprendizagem
seja consequente, pois me idiotizo quando desvalorizo as distrações por serem
proibitivas.
Se
me tenho para o gasto, por que não vou me agastar?
Sinto
a facada fulminante que vem do sorrisinho da repositora, pois as iscas de
barata, por tanto precisá-las, me leva a encurvar a espinha, porque as
cobiçadas ficam na parte inferior da gôndola.
Por
me pavonear tal qual a Mona Lisa, retribuo o sorriso. Pela graça de tomar o
sorriso feito espelho a resplandecer a pilhéria alheia, minha Mona Lisa sorri.
Por essa Mona Lisa desembaraçada, sorrimos.
A
que nível o Deus de Espinosa influenciará minha cachola a raspar em sentido
horário a casca da mandioquinha?
Raspo
a mandioquinha, pois escolhi ter escondidinho no almoço.
E
aqui me encasqueto: colocarei o feijão debaixo do arroz ou ponho o arroz
debaixo do feijão?
Quando
compro marmitex, quero fritas, abobrinha refogada e filé à parmegiana, ou, às
vezes, picadinho, mas o feijão vem embaixo.
Dificilmente
peço peixe à milanesa ou ensopado, porque não como peixe nem quando eu o pesco.
Quando
a pescaria rende, dou as tilápias, os lambaris e os carás a quem goste, precise, nem titubeie de assá-los, ensopá-los, fritá-los.
Sem
atropelos à relatividade de Einstein, eureca!
Que
coincidência chegar ao instante de comer. E que eu seja rápido ou o prato
esfriará.
Esfriando
a comida, a digestão será complicada, pois o meu gênio sabe ser lastimável. Eu
azedo, dou patadas e não cochilarei assistindo a documentário sobre a fase rosa
de Picasso.
Sem
firula: o negócio é o feijão e o arroz ficarem lado a lado ou eu comer só o
escondidinho?
Rodrigues da Silveira
Ibiúna,
dia 21 de setembro de 2025.
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