terça-feira, 5 de agosto de 2025

Amor acima de tudo

 

Amor acima de tudo

 

Quando muito se espera, surgem ocasiões em que uma mentirinha provoca menos problemas, então, que seja, bata-se o pé que só é dita a verdade, só a verdade, muito menos que a verdade, assim, quando a confiança for carapaça, máscara inviolável, talvez o dia se transforme num parque de diversões.

Divertido será, por haver-se em fortaleza, para seguir mentindo sem transparecer que a mente não emite às pálpebras piscadelas nervosas, espasmódicas, e, ao produzir lágrimas meio comprometedoras, não diz que a pessoa é mentirosa, gaiata, impaciente, e tão compulsiva.

Minta-se, pois, na montanha-russa que é o coração subir a pressão por afã razoavelmente medicável, o diabo deseja alegrar, entusiasmar, açulando o medo de desmaiar, pelo tanto de entusiasmo alegre.

Mesmo veloz nas curvas, o carrinho não vai descarrilar por besteira, assim, entregar-se ao exagero é fazer da vida um abismo perturbador, contagiante, então, que seja, é natural prevalecer a vontade de repetir, mesmo que a repetição comova, deixe alegre pra inferno.

Ao dar adeus ao cinismo, é bem-vinda a inocência.

A inocente declarada não abusa do contentamento; ainda que furar as filas gere a sensação de prazer, ela prefere lambuzar-se com maçã do amor a quebrar uma obturação com amendoim japonês.

O sal do amendoim garante a pressão alta, todavia o fuzuê no bate-bate dispara o coração, pois as porradas de frente são indesejáveis.

Aconselhável é livrar-se do excesso de sal; assim, um jeito infalível é tomar muitos copos de guaraná, assim, vai urinar até notar-se menos sufocada, menos pesada, e bem mais alegre.

Já leve, e desassombrada, é hora de andar no chapéu-mexicano, é hora de rodar rápido, ainda que a rapidez dê ânsia, que o asco faça vir à boca o melado da maçã; então, haja resistência.

Que pena!

Sem nenhuma golfada, ninguém partirá pro corpo a corpo por causa de vômito jorrado do alto. Sem engalfinhamento, a boca que se enfarou do açucarado da maçã não terá um amor com quem compartilhar essa alegria emética.

Para respirar sem travas, por alegria além da conta, ela sobe, quer o parque descortinado, assim, então, que seja, ela roda que roda até sentir que brinquedo vai atrai-la, qual poderá dar-lhe mais uma emoção extrema.

Tem o ringue dos carrinhos e, sem se lembrar de que bateu, bateu, é pra lá que, num pé, ela trota.

Entusiasmada, tanto bate que fica entediada, já disposta a bater-se em outro quartel.

Que outro será este? É o estande de tiro ao pato!

Atira uma, atira duas, as cinco rolhas certeiras geram um panda.

E anda um metro e anda dois, anda que anda, e o bicho cresce, fica mais pesado, fica mais e mais difícil carregá-lo, de ofertá-lo a quem se ama.

Bem que ela tenta te dar esse pandinha fofucho, pois o entusiasmo espelha a miséria que é amar sem ser amável, todavia, Monga, amada amante, tal amor cativa.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 05 de agosto de 2025.

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