Quando muito se espera, surgem ocasiões
em que uma mentirinha provoca menos problemas, então, que seja, bata-se o pé
que só é dita a verdade, só a verdade, muito menos que a verdade, assim, quando
a confiança for carapaça, máscara inviolável, talvez o dia se transforme num
parque de diversões.
Divertido será, por haver-se em
fortaleza, para seguir mentindo sem transparecer que a mente não emite às pálpebras
piscadelas nervosas, espasmódicas, e, ao produzir lágrimas meio comprometedoras,
não diz que a pessoa é mentirosa, gaiata, impaciente, e tão compulsiva.
Minta-se, pois, na montanha-russa que é
o coração subir a pressão por afã razoavelmente medicável, o diabo deseja alegrar,
entusiasmar, açulando o medo de desmaiar, pelo tanto de entusiasmo alegre.
Mesmo veloz nas curvas, o carrinho não
vai descarrilar por besteira, assim, entregar-se ao exagero é fazer da vida um
abismo perturbador, contagiante, então, que seja, é natural prevalecer a
vontade de repetir, mesmo que a repetição comova, deixe alegre pra inferno.
Ao dar adeus ao cinismo, é bem-vinda a inocência.
A inocente declarada não abusa do
contentamento; ainda que furar as filas gere a sensação de prazer, ela prefere
lambuzar-se com maçã do amor a quebrar uma obturação com amendoim japonês.
O sal do amendoim garante a pressão
alta, todavia o fuzuê no bate-bate dispara o coração, pois as porradas de
frente são indesejáveis.
Aconselhável é livrar-se do excesso de
sal; assim, um jeito infalível é tomar muitos copos de guaraná, assim, vai urinar
até notar-se menos sufocada, menos pesada, e bem mais alegre.
Já leve, e desassombrada, é hora de
andar no chapéu-mexicano, é hora de rodar rápido, ainda que a rapidez dê ânsia,
que o asco faça vir à boca o melado da maçã; então, haja resistência.
Que pena!
Sem nenhuma golfada, ninguém partirá pro
corpo a corpo por causa de vômito jorrado do alto. Sem engalfinhamento, a boca
que se enfarou do açucarado da maçã não terá um amor com quem compartilhar essa
alegria emética.
Para respirar sem travas, por alegria
além da conta, ela sobe, quer o parque descortinado, assim, então, que seja,
ela roda que roda até sentir que brinquedo vai atrai-la, qual poderá dar-lhe mais
uma emoção extrema.
Tem o ringue dos carrinhos e, sem se lembrar
de que bateu, bateu, é pra lá que, num pé, ela trota.
Entusiasmada, tanto bate que fica
entediada, já disposta a bater-se em outro quartel.
Que outro será este? É o estande de tiro
ao pato!
Atira uma, atira duas, as cinco rolhas certeiras
geram um panda.
E anda um metro e anda dois, anda que
anda, e o bicho cresce, fica mais pesado, fica mais e mais difícil carregá-lo,
de ofertá-lo a quem se ama.
Bem que ela tenta te dar esse pandinha
fofucho, pois o entusiasmo espelha a miséria que é amar sem ser amável, todavia,
Monga, amada amante, tal amor cativa.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 05 de agosto de 2025.
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