Vacinados
Eu passeava com o cachorro.
Não é pelo gosto de zoar comigo, ele não
resiste a um poste desde que o peralta era filhote. Quinze anos depois da sua
entrada na minha vida, a euforia segue parecida. Por razões que ainda ignoro, o
bichinho se esforça o quanto pode para que não o impeçam de fazer o que tanto o
convulsiona. Cheira que cheira, roda que roda, e, abanando o rabo e latindo, batiza-o.
Era outra de nossas caminhadas noturnas.
Ficamos no quarteirão. Mesmo que não nos
apressemos, fazemos a volta em pouco tempo. É raro levarmos mais de meia hora
pro trajeto ficar completo: da porta de casa à porta de casa.
Assim que a garoa parou, saímos.
Marx e eu mantemos a rotina. Todos os
dias, depois do café e após o jantar, caminhamos. O quanto podemos, vamos devagar.
O mais que posso, procuro andar sem
pressa. Não é porque tenha comido demais que gosto de ir com calma, vou devagar
pra não perder o fôlego. Se eu preciso puxar pelo ar, a coisa vai mal.
Dá uma paúra danada me descabelar pelo
que seja. Sinto a fisgada; antecipo agulhadas. A boca fica amargosa, ela seca, fica
ressequida.
Nestas circunstâncias, um banco me
abalaria como um poste, mas não fico apavorado com a distância que me separa da
praça. Sem que a coleira machuque-o, refreio o meu basset.
Ele não banque o companheiro atencioso
do sujeito desmaiado. Ele não invente de lamber a boca de quem demora um
pouquinho pra abrir os olhos. Se acha que pode agir como um bom animalzinho amestrado,
ele que lata e não pare de latir até que mãos humanas apareçam para erguer o
coitado caído na calçada.
Como nunca fui marxista, não confundirei
desmaio com morte.
Caminhávamos quando uma pessoa veio
falar comigo.
Durante a pandemia, a tal não foi vista
de máscara de jeito nenhum. Era desnecessário, porque o corona não era perigoso
como pregavam. Era uma vergonha que os boatos pegavam entre indivíduos instruídos.
Era uma invenção pra prejudicar o comércio. Com os empresários sem renda, tinha
mesmo que inflacionar o número de desempregados. Mas, pessoa inteligente, ela soube
ligar os pontos.
Marx e eu paramos, antes não o
tivéssemos feito.
Ela não deixou por menos. Quanta bobagem
disseram os cientistas. Começaram com álcool nas mãos. Era necessário desinfetar
bananas. Ninguém podia abraçar. Um espirrozinho que fosse podia matar. E era um
tal de SARS-Cov 2 pra cá e RNA mensageiro pra cá. Sempre para cá, pro lado mais
frágil.
Com a graninha de quem se assusta com
gente que fala difícil, uma cambada astuta vai tratando de encher a burra.
Ela não tomou vacina alguma, pois pessoas
vacinadas com drogas cientificamente transfiguradas estão espalhando calamidades
que nem os laboratórios conhecem. Sem dúvida, tem muito risco no mundo. Não
importa se condenam, quem atualmente usa máscara continua do lado certo da
verdade.
À vera, Marx e eu seguimos em frente.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 01 de agosto de 2023.
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