domingo, 7 de agosto de 2022

Fã declarado

 

Fã declarado

 

Fã declarado de quem utiliza o humor para fazer rir de tudo que seja humano, lamento a morte de Jô Soares.

Das TVs e dos jornais, do meio daquela avalanche de homenagens, das honestas às hipócritas, flagrei-me a cismar sobre a orientação da família para que o hospital e seus funcionários nada dissessem quanto à causa da morte do humorista.

O fato é que o Jô morreu, porém o universo, sempre jocoso, moveu névoas e minha mente faiscou: “celacanto provoca maremoto”.

De repente, o muro com a pichação surgiu-me nítido, tal qual eu o via no final dos anos 70. De segunda a sexta, passava por ele quando ia pro ginásio e, a cada vez que a lia, encasquetava.

Estava funcionalmente alfabetizado, não tive dificuldades na leitura; o significado de ‘celacanto’ fui encontrar na Barsa; contudo, aquilo dizia o quê?

Fato consumado, o silêncio sobre o que acarretara a morte do ator octogenário, a consciência sobrepôs o que fotografei com o que achei ter fotografado.

Como ainda tenho guardado muita coisa que fiz, vi as fotos que tirei pra Fotografia I. Putz! Os negativos não escondem o registrado.

A frase pichada era outra, uma muito conhecida nos anos 80, pois espalhada por todo o país, e zombeteiramente assinada por um gaiato Reagan tupiniquim: “calma que o Brasil é nosso!”

Pra desmontar o relógio que a minha cachola me apresenta, preciso desanuviar os pensamentos ou pedirei somente a mim pra emparelhar o que recordo ao que desejo seja rememorado como fato.

Mas, a leitura subjetiva da realidade não anula o que houve, que “o sentido do acontecimento é o acontecimento não ter qualquer sentido”.

Ê lasqueira! A morte é absurdo natural e a fantasia não.

Como não dá para viver só de riso, o tempo canta: levante-se, ande com as pernas que tem, desdobre-se a obrar pelo bem.

Na real?

Pobre homem, que imagina ter domínio de si, é outro napoleão lelé tirado à dormência pela cuca indomável.

Se se faz ridículo como reizinho, alcança o hilário quando monta um cavalinho de vassoura. Que aprenda a amar, todavia nem por amor vá à guerra, que os energúmenos vão.

Sei lá por que troco olhos por ouvidos, só sei que vivo a fazê-lo.

Se a cabeça estiver legal, acho que em 1995, acredito que deve ter sido no programa radiofônico Jam Sessions, apresentado pelo Jô, que ouvi falar no George Clooney, famoso pela série Plantão Médico.

Jô, o tocador de bongô que ensaiou com Oscar Peterson na Suíça, citou o sobrinho de Rosemary Clooney pra informar que, foi mesmo em 1995, a cantora ganhara um Emmy como melhor atriz convidada numa série dramática de TV.

E o que se pode tirar desse balaio de gato?

Jô do Bongô, obrigado por me ajudar a lembrar que também sou fã dessa Clooney. Com ela, emendo: “se eu sou o fel, você é o mel”.

Meu caro Jô, you are the top. Jô da Galera, você é fera.

Então, como as ruas bem sabem: Jô é o cara.

Abaixo o regime. Viva o Gordo.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 07 de agosto de 2022.

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