Viver,
para mim, é obrigação.
Sendo
uma obrigação, tenho que fazer as minhas rotinas do melhor modo que eu consiga.
Por isso, faço questão de repetir que só cumpro com o planejado. E tenho de
fazê-lo de novo e de novo, porque, a cada vez, estou dando de mim o melhor que
posso entregar.
De
maneira alguma, entretanto, finjo que estou bem quando deixo de cumprir com uma
obrigação. Isso não vou fingir jamais.
Tem
gente que acha uma bobagem, não vejo assim. Mesmo que a essa gente pareça algo
pequeno, de valor insignificante, ainda assim, trato de fazê-lo com a
determinação que mais me fortaleça.
A
mim me tomo pelo rigor do caráter, sem abdicar do meu próprio julgamento. Que a
avaliação mais precisa é a que faço de mim, e sobre isso não abro brecha pra
que me questionem o compromisso moral de a mim mesmo avaliar. Por implacável
que possa brilhar aos olhos das pessoas, resigno-me ao autoexame.
Se
não o fizesse, brotaria em mim uma água pestilenta, a da falta de certeza. E
não sou pessoa de permitir que cresça uma duvidazinha minúscula na mais pequena
partícula de mim. Ou isso perderia da alma a chama que me alimenta a cada nova aurora.
Perdido
de mim, perdida a mão.
Porquanto
não daria em auxílio a mão amiga, que preciso, de fato, ser amigo de mim antes
de aventurar-me a socorrer mundos e fundos.
Se
me quero voluntarioso, tenho que me ser amigo nas coisas mais comezinhas. Se me
acho pessoa boa de conversa e pau pra toda obra, então, a jornada mais íngreme,
de difícil travessia, é a que começa em mim mas não termina em mim.
Acredito,
a obra da minha vida não está encerrada na minha própria pessoa. E muito ajudo
a mim mesmo ao ajudar os demais.
Preciso,
realmente, ser meu melhor amigo se quero mesmo abraçar uma obrigação de outra
pessoa.
Mesmo
que essa pessoa nem seja minha amiga, faço de coração. Entrego-me à tarefa por
mim escolhida mesmo que nem se reconheça o esforço de querer fazer bem o que
nem me tenha sido pedido. E sem forçar a barra, ajudo porque está ao meu
alcance.
Não
forço a mão porque sou duro na queda e me quebro quando o chão é tão duro tanto
quanto eu sou. Quero-me inteiro ao enfiar a mão na massa quando vejo a pessoa
em apuros, precisando de ajuda.
Assumo
a responsabilidade quando sinto que o que precisa ser feito se encaixa no que
tenho já planejado, já compromissado comigo.
Pois
é, sou fácil de lidar. Não dou chiliques nem faço biquinho, pois isso é para quem
se acha estrela. E não tem coisa mais idiota do que a pessoa dar uma de
importante.
O
importante é viver de bem consigo, pois vivendo em paz consigo a pessoa mostra
o caminho bom de ser vivido, que é a jornada do justo aos olhos de Deus.
Se
tem alguém acima de todos, bem acima de nós, essa pessoa é Deus.
Em
outras palavras, não é por marra que não recomendo trocar fuzil queimado por
lampião a gás, é que o calibre das trevas fica mais nítido à luz de velas.
Rodrigues da Silveira
Ibiúna,
dia 29 de agosto de 2021.
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