terça-feira, 10 de novembro de 2020

Outro começo

 

Outro começo

 

É preciso começar do zero?

Hoje os tempos são outros, as promessas não se conformam aos candidatos que se apresentam em busca de algum acolhimento ético ─ menos politiqueiras, por conseguinte. Sim, amiga, a veracidade da coisa toda, quando se trata de eleições, está realisticamente filtrada, pois agora a risonha esperança, que ainda sorri quando adulada por gesto amanteigado ou muxoxo almiscarado, entra a gargalhar frente a truques digitalmente pragmáticos. Sim, amigo, uma vez posta frente a rostinhos mais apropriados às certezas polarizadas, a última a luzir do ventre de Pandora já pode mais sobre o que menos digere. Vê-se que a verdade mais autêntica pede à origem que não camufle classe ao falar em público, gênero ao tratar o público ou publicidade ideal.

Sob medida, num mundo polarizado é assim que a conta fecha: há atributos desagradáveis a quem projetado inimigo.

Ou seja, nesta área de preservação social, tanto fantoches quanto marionetes que estão retirados a passatempos de caixas-eletrônicos, cuja fluidez desinibe a ingestão legítima de essências tóxicas que dão sutilíssimas alterações hepáticas, renais e pancreáticas, são os que, pelo consumo cívico de Royal Salute, justamente eles estão curados.

Em resumo, farta de celebridades sóbrias, a política anda capenga de notoriedades dionisíacas. O que torna um porre assistir ao horário eleitoral obrigatório televisivo, porque o mercado anda pedindo caras novas, tornadas novíssimas a fundo perdido. Ostensivamente a grana e a paciência? Perdidas. Mas ambas? Só as nossas, óbvio.

Misericórdia! Que não desejamos castração de nenhum candidato. Sejamos críticos, porque somos mesmo pela democracia que atenda aos interesses do povo, e que ainda nem os sabe interessantes.

Por favor, por piedade, escondam de mim o copão de groselha.

Pois é da glória da esperança viver arisca no encalço dos que não foram: as multidões de homens felizes, com suas mulheres felizes.

Quê? Sem diversidade, há igualdade.

É gastando sola sem sapato, endurecendo a moleira sob sol, indo por aí afora como se levasse o mapa do tesouro no fundo da cachola, é assim que ninguém sai do lugar.

Afinal, há mudanças que não ajudam em nada; aliás, só pioram o que vai péssimo. Tempos difíceis de engolir? Saltam pela goela.

Em dias de atualidade perturbadora, fiquemos sentados ao menor sinal de vertigem. Pateticamente, enrolemos. Recusemos dos gestos o obsceno. Não queiramos tirar do sério quem sorri. Queiramos sorrir do nosso modo, com os dentes que dispomos e não com a dentadura alheia ou por maxilar de outrem.

Se podemos?

Tiremos o rabo da cadeira e entremos na dança que sentimos seja nossa. Que alegria! De mais a mais, bailemos e cantemos.

Agora é hora? Sim, que bem agora se retome a recontagem...

Um mais um façam sempre mais que dois.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 10 de novembro de 2020.

 

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