Outro
começo
É preciso começar do zero?
Hoje os tempos são outros, as
promessas não se conformam aos candidatos que se apresentam em busca de algum acolhimento
ético ─ menos politiqueiras, por conseguinte. Sim, amiga, a veracidade da coisa
toda, quando se trata de eleições, está realisticamente filtrada, pois agora a risonha
esperança, que ainda sorri quando adulada por gesto amanteigado ou muxoxo
almiscarado, entra a gargalhar frente a truques digitalmente pragmáticos. Sim,
amigo, uma vez posta frente a rostinhos mais apropriados às certezas
polarizadas, a última a luzir do ventre de Pandora já pode mais sobre o que
menos digere. Vê-se que a verdade mais autêntica pede à origem que não camufle
classe ao falar em público, gênero ao tratar o público ou publicidade ideal.
Sob medida, num mundo polarizado é
assim que a conta fecha: há atributos desagradáveis a quem projetado inimigo.
Ou seja, nesta área de preservação
social, tanto fantoches quanto marionetes que estão retirados a passatempos de caixas-eletrônicos,
cuja fluidez desinibe a ingestão legítima de essências tóxicas que dão sutilíssimas
alterações hepáticas, renais e pancreáticas, são os que, pelo consumo cívico de
Royal Salute, justamente eles estão curados.
Em resumo, farta de celebridades sóbrias,
a política anda capenga de notoriedades dionisíacas. O que torna um porre
assistir ao horário eleitoral obrigatório televisivo, porque o mercado anda
pedindo caras novas, tornadas novíssimas a fundo perdido. Ostensivamente a grana
e a paciência? Perdidas. Mas ambas? Só as nossas, óbvio.
Misericórdia! Que não desejamos
castração de nenhum candidato. Sejamos críticos, porque somos mesmo pela
democracia que atenda aos interesses do povo, e que ainda nem os sabe interessantes.
Por favor, por piedade, escondam de
mim o copão de groselha.
Pois é da glória da esperança viver arisca
no encalço dos que não foram: as multidões de homens felizes, com suas mulheres
felizes.
Quê? Sem diversidade, há igualdade.
É gastando sola sem sapato,
endurecendo a moleira sob sol, indo por aí afora como se levasse o mapa do
tesouro no fundo da cachola, é assim que ninguém sai do lugar.
Afinal, há mudanças que não ajudam em
nada; aliás, só pioram o que vai péssimo. Tempos difíceis de engolir? Saltam
pela goela.
Em dias de atualidade perturbadora, fiquemos
sentados ao menor sinal de vertigem. Pateticamente, enrolemos. Recusemos dos
gestos o obsceno. Não queiramos tirar do sério quem sorri. Queiramos sorrir do
nosso modo, com os dentes que dispomos e não com a dentadura alheia ou por
maxilar de outrem.
Se podemos?
Tiremos o rabo da cadeira e entremos
na dança que sentimos seja nossa. Que alegria! De mais a mais, bailemos e
cantemos.
Agora é hora? Sim, que bem agora se
retome a recontagem...
Um mais um façam sempre mais que dois.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 10 de novembro de 2020.
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