Uns
amorecos
Quem dá ouvido ao que não é dito
escuta o quê?
Talvez caiba a audácia de umas
palavrinhas...
Há histórias que só o amor sabe de cor,
e põe cartaz dizê-las sem tardar. Esta vivida por Songa Monga e Tíbio Pateta
era magnífica em desencontros, recuos e noves fora; e amofinava quem tinha o
azar do envolvimento, senão por terceiros, com intenções vagabundas.
Entrando de cabeça, punha-se em maus
lençóis a pessoa que se interpusesse nos negócios dessas almas imbecis. Aberrações:
torpes no mando; hediondas na saliva.
Tarde demais para tirar da boca a rabanada.
Envolvida em guerra alheia, sucumbia à
estupidez e ao desatino; menos como público, mais como diretor a lutar por
outra dramaturgia, a querer salvar do ridículo o que já vinha ao proscênio com
as cartas marcadas pela arrogância desmiolada e pela vilania renitente.
E Songa Monga, nesta ocasião trazida à
baila aqui, pedia um café sem o açúcar tão proeminente, porque seu paladar
ofendia-se com o xaroposo. Usualmente comovente a basbaques, a quem sentado com
ouvidos e olhos vidrados em alguma tela, fosse fixa ou móvel.
E Tíbio Pateta, a ele viera a luz de
passar outro fio de água fervida naquele café já coado, mas a sua ideia, tirada
ao propósito do veloz e do agrado imediato, desperdiçaria o patrimônio. Movido
por agilidade janota em prol de ninguém, que Songa Monga cuspiu o lixo frio,
com os seus furibundos naturais de desapreço, desgosto e esconjuros.
Belo par que a Arca não previra sequer
premeditara, agora se vê o tanto de barro a correr pelas veias deste Novo Mundo.
Se parasse neste ponto, todavia, a nossa
história ficaria entrevada no fundo da ostra. Mas o colo almeja outra pérola:
― Benzinho, tirei o doce com mais
água. Experimente, coração.
― Mozinho, tá uma droga de ruim. Dê
pra Fina Estampa, ela bebe que nem reclama, uma dengosa.
Fina Estampa, pela força do nome que tão
bem a define, é a parte inocente, nada afetada, perigosa ou cruel. É a coda que
encerra este causo pedindo a piedade das leitoras e leitores, gente feliz que sabe
por A mais B como as artes e os jeitinhos de filhotinhos tão fofurentos pedem muxoxos
e guti-gutis. De fato, a dálmata é gema malhada.
Uau! Outro exemplo a troco de nada.
Como assim, “nada”? Cadê a moral da
história? O senhor precisa admitir: sem estátua, serve o poste; uma vez que é
da natureza dos cães mijar gostoso. Nem pombas pra batizar o bronze eterno?
O moral capenga... Pelas tabelas... Indo
pro beleléu...
Ai ai ai.
Diz o homem que não dorme faz três
dias:
― Quando o Diabo veste Lúcifer, o farol
regurgita escuridão.
Certa de si, outra pessoa sorri:
― Pra ouvir a voz do silenciado, escute
bem a de quem o silencia.
De curta imaginação, alonga o douto a
língua morta:
― Brigam os homens por maçã que não
mordem.
Oxe.
Sem Noel que a traduza num maxixe
porreta, a ideia biruta sopra ares de pensamento grego.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 23 de agosto de
2020.
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