Pomada
de ozônio
Foi no curso da vida que fui topando
com uns mistérios vaporosos que, com sua teia de conhecimentos indeléveis,
muito enredam quem distraído do fundo pantagruélico de onde provém a coisa
toda, inteira, o universo que me tonteia. Permaneço boquiaberto, louco para
saber como e por quê.
Preso ao insólito pela curiosidade da
compreensão, tenho parado diante de mecanismos que, tão mais especulados por
mim, fogem ao escrutínio, como cobra corre do fogo.
Não tinha como não reparar, pelo
atrativo do âmbar que se abre à vontade de ir lá, nas entranhas de Cronos, e
vir com a chama que me ilumine em meio à escuridão. Foi, portanto, que pulei no
braseiro para me chamuscar o bastante, pra dominar as labaredas, pra passar meu
café. Passado o jejum, porém, novas fomes me atiçam. Na pajelança sem pajé,
acossado por urticárias indômitas, eis-me aqui, mosca que enfrenta e pergunta.
Já reparou que, quando o assunto é
grave, daqueles que mexem com a gente, feito o uso da guilhotina para tornar
fumável o charuto, do Recôncavo ou de la
isla, cujo nome afinal nem abano dizer com o medo capital de socializar
estímulos a ideias retrógradas, posto que sou moderno, contemporâneo do GPS e
da terapia genética, não hei de viralizar meu próprio cancelamento por lacrações
ortodoxas, nem toda pessoa que escreve, fala ou gesticula, seja jornalista de
vistoso crachá, cronista de boteco apinhado ou poeta de louros passados, vai reta
à raiz do problema, vem abrindo espaço à luz do reconhecimento que identifica o
sentido mais profundo, ela topa com o fulcral da ideia, o recorrente do emprego
exacerbado que poderia entrar pelo labirinto à prova de fuga da banalidade, que
brilhantemente consegue sair-se bem ao barrar o acesso ao âmago da coisa
enquanto faz a graça da significação sobre significação, numa trama rica,
multicolor, distração grudenta que pouco atalha, trajeto que não se apaga súbito,
todavia a etimologia deixe o rastro desde a partida, já?
Sem dar uma de besta que adora falar
besteira, como achar que o Mendel das ervilhas é pai do Mendelssohn da Marcha Nupcial, farei o mesmo, e vou. Puxado
do cochilo pelo ronco, gravitando de sonso, pega-me no pulo a palavrinha grave.
Quando o nome engata, a seriedade diz
que a gravidade do troço cai feito bomba numa cabeça oca; e faz marola, eco que
se expande, feito círculo saindo de dentro de círculo. Será pedra atirada no futuro
d’água parada? Qual! É cometa no céu da pátria.
Espio, me arrepio, e me embaraço.
Haverá no mundo remédio que cure estupidez agravada por cupidez? De topada em
topada, a sarna engrossa. Se dá um gás, aumenta o cheiro; se não mexe uma
palha, amontoam-se os porcos. Santa merda.
Segundo a Lei de Ivan: gozando
esquecer os últimos quinze anos, esculhambamos os próximos quinze...
Diacho!
Nem cânfora nem sanfona safam da enrascada.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 11 de agosto de
2020.
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