quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Hora, hora


Hora, hora

Luiz, o pequeno, tinha um mestre, o velho Luiz. Ambos Luíses, pai e gafanhoto, vieram ao mundo em Ibiúna, como advertem os cálculos do narrador. Na função da memória, com sua escala peculiar, tem-se o holograma do salto pro solo do Concerto para Oboé de Wolfgang Amadeus, o Mozart. De cortar o fôlego, o oboé chega a suspender o momento, apesar das escoriações sobre o corpo.
Um Gabigol a entortar o pescoço dum desgovernado?
Deixe o deboche pros cães da pátria, ó Luizinho. Mas, tente forrar o riso com esses dias de taxa das grandes pobrezas. Mas, resista ao fundir a chalaça do regressivo à burla recorrente das infâncias.
Isso, o instante da fuga, faz nostalgias com a matéria boa? Fá-las, raciocina o calado do altercador com ares de sabujo.
Isso, a sarna da sabedoria, faz saber o que quer dizer o vão, cuja carne viva pouco diz a quem tem unha?
Quem tem unha que a trate, que as pulgas insultam as narinas ao circular os circuitos da pilhéria, se desalojadas por espanador. O que diz? Poeira, entre O Paraíso Perdido e O Tempo Redescoberto, diz o gaiato da Modesta Proposta.
Vê-se aí uma exploração qualquer. Mas qual?
Está no ar. Sufoca-se. Portanto, respirar faz mal.
Mas respiração nem é da conta de quem respira. O ar entra, pois tem mesmo que fazer funcionar as peripécias, daí volta pro restante do ar que fica naquela impaciência.
― Então, como é lá dentro? Tem monstro de verdade?
O ar? Entra de um jeito e sai de outro. Porém, só o ar não basta a quem estuda as atuais condições, por isso apela a instrumentos pra medir. E o ar, concentrado na geleia geral? Nem aí pra quem precisa medir o quanto de ar precisa quem precisa de ar para viver.
Viver, e viver em paz. Isso? Isso é de cortar o coração.
O coração, eis a raiz a quem reflete sobre as condições de tempo e temperatura. Pulsa, se medicado. Há remédio a quem treme? Se há feijão a quem tem boca; se pode o pão quem tem febre. O dito cujo? Cães o amassam com o rabo ― se sentados, grunhindo; se deitados, rolando. O coração no peito de quem tem pulgas late aos afagos dos muxoxos. Todavia, as pulgas que os cães trouxeram para casa fazem a festa. Festa? Se for pra faltar ao respeito: ô suruba.
Quê? À baila, musas sorriem uma infância.
E vinha? No manso da carroça numa batida de cascos, o menino largava da rédea sem ouvir as toras virando pizza, que a fatia noutro balcão fazia solfejarem os pezinhos; no sábado da padaria do Gildo e do Serafim, naquele gostinho da noite, tal a mímica do alvoroço.
Sim, a cotovia das veredas canta aos tíbios o dissonante à arenga de quem, em tudo, revê tantos quebra-quebras.
Ê explosão de vermes no ventre do colosso. Ê chusma de arrotos da malta do meia dúzia. Ô linguagem sem drama.
E se taxar o desemprego? Orra!
A mulher do Nunes (segundo o Braga, a primeira) não foge à letra:
― O quê tem que ver com eme e pê...
Toca pro Allegro aperto? Da capo.

Rodrigues da Silveira
Praia Grande, dia 28 de novembro de 2019.

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