Para alterar alguns dados do meu
cadastro, eu liguei. Relatei minha dificuldade em mudar o que precisava ser
alterado. A pessoa que me atendia pediu-me informações, porque, pelos
protocolos de segurança, havia a necessidade de checar quem verdadeiramente
estava do outro lado da linha. Parte interessada que os dados fossem
atualizados, não seria eu que haveria de reclamar do atendimento.
Teclas batucadas, identidade confirmada:
o que eu pedia?
Pedia que informações fossem modificadas,
pois mudei de cidade, de casa, cancelei uma linha, pedi novo número; nada
complicado, mas não consegui fazer nem pelo telefone nem pelo computador.
Teclas foram batucadas, inserções
realizadas: algo mais?
Este agradecido voltou à página, e tudo estava
como dantes.
Como algo tinha que ser feito, que a
empresa fizesse. Embora não fosse uma emergência, como queria ficar tranquilo,
eu voltei a ligar.
Outra pessoa se dispôs a atender-me e
outra vez pensei que, para meu alívio, as informações seriam realmente modificadas.
Como da primeira vez, cinco minutos a
mais e eu ficaria meia hora pendurado ao telefone. Embora seja uma chateza, eu estava
disposto a ficar uma hora inteira se, de fato, a ficha fosse atualizada.
Assim como da primeira vez, asseguraram-me
que as atualizações foram feitas com sucesso. Assim também, fui ao cadastro para
conferi-lo efetivamente alterado e, de novo, nada havia mudado.
Intacta estava a minha disposição: pela
terceira vez eu liguei e uma terceira pessoa jurou que alteraria os dados e uma
segunda decepção instalou-se em meu espírito de inabalável confiança.
Contrariado, já um tanto irritado, concluí
que não tinha necessidade de continuar com aquela inutilidade, mas, porque não
sou pessoa que recua diante das adversidades, eu não desistiria e eu não
desisti.
Pela quarta vez eu liguei, só queria que
endereço e telefone antigos fossem trocados pelos atuais. Pela quarta vez
trataram-me de maneira gentil. Pela quarta vez garantiram a este cidadão que os
dados tinham sido inseridos no sistema conforme à minha intenção. Pela quarta
vez, fui literalmente educado, cordialmente mantive baixo o tom de voz, eu pacientemente
esperei que terminassem o serviço, eu elegantemente desejei que o dia de
trabalho fosse realmente muito, muito bom.
Certo, pormenores fazem a diferença.
Em cavernas tão modernas, pela fé que
deposito na Lei de Murphy, não fui ao cadastro pra verificar que nada tinha
sido atualizado, não fui à página pra me certificar que é bobagem brigar à toa.
Nas veredas do mundo, aprendo a caminhar
de olhos no horizonte, aprendo com as decepções que posso ser uma pessoa menos
egoísta, aprendo com as frustrações que as angústias não são eventuais.
Sinceramente, saber que preciso ser só
um tantico mais positivo me faz ignorar o que me falta.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 04 de abril de 2023.