O professor escrevia datas e nomes
relativos à Guerra do Paraguai, as alunas e os alunos copiavam. Com o dever patriótico
de copiar datas e nomes, sabiam de cor: baderneiros dançam na vida.
Por conta das centenas de fotos de quem
passou as férias na praia, no fundão a aula era outra: não ser apanhado de
celular em punho.
Como professores têm olhos na nuca, a
história tomou outro curso: que Stanislaw trocasse de lugar com o Torelly ou os
aparelhos seriam confiscados.
Embora arteiros costumem contestar, a
ordem foi cumprida: aquele à direita passou-se à esquerda, e a pomba da paz
pousou no poste.
Era um poste, não o busto de bronze de
eminente preboste.
Na dúvida, busque-se num mapa de
aplicativo: no Itororó, a Duque de Caxias cruza com a Barão de Itararé.
Para avançar por vereda diversa, há
mestres que ministram aula de outro quilate. Pondo em tela que “a criança diz o
que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer”, anote-se que: são
oito as barbatanas do tubarão, canguru tem marsúpio; mas cara de pau, até
Pinóquio.
Platônicos de plantão, passado o apagador,
tirem outra ilação.
Com a luz acesa, o quarto é diminuto. Para
tomá-lo do tamanho que se queira, feche-se os olhos. Esvazie-se de imagens;
torne profunda a escuridão em que se esteja abarcado. Nem assim o real fica
abstraído na circunstância: gente acordada na cama é pinto no lixo.
No escuro, sinta-se a necessidade de conservar-se
deitado. Já que a mente é uma máquina de gerar abstrações, não lute consigo.
Se for filosofar, pegue no sono ou
acorde pra noite.
Cuide-se para não cair no desassossego
de um sonho pesado. Seja precavido, prenda as cobertas. Acalme-se, procure
lembrar-se do avô cheio de marra: ronco brabo não deixa ninguém banguela.
Banguela ficou um mochileiro. À traição,
o esmurraram.
Uma vez ao ano, por um mês inteiro, o rapaz
ficava numa pousada em algum lugar da Calábria, Campânia ou Basilicata.
Pra não aporrinhar com pormenores
irrelevantes: foi comendo uma brachola que ele teve a ideia de registrar o que
comia.
Foi a solução pro novelo das dívidas: em
vez de gastar com cartões-postais para vendê-los no Patropi, o telefone virou instrumento
para a reviravolta que tanto carecia.
Antes de postar cada uma das imagens,
transformava-a em NFT. E a coleção da comida italiana avolumou-se. Chamou a
atenção de muita gente. Criou-se o burburinho. E boca a boca a rede ficou
sólida. Havia seguidores relapsos, de curtidas esporádicas, até os fanáticos
que não só as davam, cobravam-nas.
Por zap, pediram ao viajante que enviasse
uma seleção especial de torrones. Fotos sem truques, e imagens impressas.
Com providências já tomadas, que
imbróglio.
Em Itaí, o pacote seguiu ao protocolo,
mas, no interior do prédio, a encomenda foi entregue à pessoa que nada esperava
da Itália.
Andrea é nome de homem, porca miséria!
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 09 de março de 2023.