Meu
coco, não o meu mas o do Caetano, desanda a
fazer festa com as minhas minhocas mais chegadas a um forrobodó.
Bateu
uma inquietude, resolvo encará-la. Opto dar uma volta. Coisa rápida, só pra não
ficar encafifado. Quando a ideia enrosca, fica dando volta sobre si, acabo
perdido.
Pra
não ficar perdido de vez, eu entro na briga. Quero vencer, tento. Para que a euforia
não me derrube no primeiro assalto, topo a luta sem fazer cara feia, pois não
estou a fim de me entregar mal tenha sentido a perdição da alegria.
Nada
de unitê, que eu nem luto caratê?
Melhor
seria se entrasse num ônibus. Nem me importaria qual, que me levasse por aí.
Porque aprendi a gostar dessa química entre nós ꟷ da máquina aceleradora de
paisagem com os olhos à procura de alívio.
Só
que a janela mostraria o mundo, com pirações diferentes do que a minha. Então,
sentindo o tapa, eu ficaria emburrado, franzindo a testa e, reduzido ao enfezado,
acabaria ainda mais contrariado.
Se
não é nada alegre um rosto triste com testa franzida, quem não tem nada com
isso acha muito chato ficar ouvindo gente aborrecida.
Portanto,
fique dispensada a aporrinhação.
Assim,
eu largo de mim?
Um
passarinho canta à beira da janela. Muito bom ouvir o bicho, ele tanto mexe
comigo que até assovio. Parece que levo jeito, e assovio.
O
meu coração pega o pulso. A mente ignora as tormentas e faz sol na alma
desperta pelo mundo. A ansiedade vai pro fundo e, decantada, fica encoberta por
alegrias, cantorias, maravilhamentos.
A
música é mesmo um ótimo remédio pra uma cabeça precisando se desprender das
âncoras do desgosto, do desespero, do luto.
Assobio
com gosto. A selfie confirmará o charme do meu bico.
Por
que, então, o cantador avoou assustado?
Deve
ter sido pelo ruído do telefone ou por minha decepção ao dar com a foto
tremida, que deleto relutantemente. Mas quero histórias pra contar que muito me
envaideçam.
A
vida tem dessas coisas, de forçar a gente a aceitá-la sem ensaiar, mas me
rebelo e rebolo como posso. Pra não tomar na fuça o que não quero que me enfiem
goela abaixo, bolero um dois pra lá, dois pra cá.
São
bagatelas. Que bom. Tô desejando singelezas bacanas.
Opa!
Opa! Será uma pegadinha?
Duas
notas de cem estão dando sopa na calçada, justiça seja feita: na manha e sem
sanha, vou salvá-las das pisadinhas. Porque tem hora pra tudo, até pra entrar
no papel de mendigo beberrão vagabundo que não tem onde cair morto.
Diz
o crápula que trago em mim que não preciso ter razão pra estar certo. Diz o
rábula interior que não é dividindo o que mais tenho que o espírito me elevará
das vilanias, é dividindo o que tenho menos.
A
tentação do ordinário me quer maluco pelo fora do comum?
Chuchu
beleza!
Meio
gagá de tanto loló, meio lelé de tanto jiló, tiro o engasgo pelo gogó, entre
a miséria e a mágica, a minha língua tão à míngua, mostro-a pros caretas
picaretas sem graça.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna,
dia 24 de outubro de 2021.