terça-feira, 5 de outubro de 2021

Sui generis

 

Sui generis

 

Como me conciliar comigo? Compensando o cidadão complexo que me consome conscientemente crítico? Compenso, logo compro.

Nadir, pra começar, dê-me água pro pantoprazol sódico.

Quando rugem os cotovelos do Tigre encanado na parede, basta a Hydra abrir a boca pros dejetos subterrâneos correrem pro mundão.

Se grudam que não evaporam, pedem o furor verde do Diabo. Mas, se o ambiente fica carregado de carniça de urubu, a lavanda faz o Bom Ar respirável outra vez.

Folhas de Neve não desfazem as fezes, incorporam-nas, dou como inadiável a lavagem das pregas, dos orifícios, das pragas de ofício.

Num bailado morno, sintonizado à primavera que a Bella Ducha da Lorenzetti me fornece, ponho os dedos a perfumar minha pele com a espuma transpirando odor de rosas da Phebo.

Calmaria em cinco minutos, já súbito me seco na Santista.

Os cotonetes da Johnson & Johnson não aprimoram o modo como toco a realidade.

Com o creme 3D White da Oral B nas cerdas macias da clássica da Colgate brigo vencer o tártaro que contamina minha dentadura dorida de mágoas. Em dúvida, enxaguo a boca com o Cool Mint da Listerine.

Se não me livro das rusgas ancoradas no rosto deste marinheiro a ver navios, cubro meus fios grisalhos com o sensível creme refrescante da Bozzano e aparo-os com as lâminas confortáveis do Prestobarba 3, que a Gillette me ajude a ganhar outra cara linda por mais um dia.

Dois jatos do Peace da Axe em cada axila, visto a World vinho da Hering. Subo a boxer vermelha da Mash. Calço a Lupo esporte de cano alto. Ajusto-me à Torelli pelo furo certo do cinto da Cavalera.

Pra andar com as próprias pernas, amarro o Chuck Taylor branco, porque calçado nesta estrela da constelação All Star eu piso forte.

Agora posso ligar a câmera do notebook Dell, entrar no Zoom e ter uma reunião acalorada sobre Uma Cerveja no Inferno do Rimbaud, edição 2021 da Chão da Feira.

Fim de papo?

No fogo alto do GLP da Copagaz, por trinta minutos, o feijão carioca da Camil conhece a pressão da Rochedo.

Com um fiozinho do girassol Liza e uma pitadinha do Cisne iodado, por dez minutos em fogo baixo, deixo soltinho o Prato Fino integral.

Com meus pais aprendi a aferventar linguiça antes de fritá-la, tomo este cuidado com a toscana da Aurora.

Fingindo não me intoxicar com as fumaças da inflação, corto o pão francês com a Tramontina serrilhada. Nada de mostarda escura Heinz, nem uns pingos de Tabasco, mas lambo o ketchup Hemmer da faca.

Meus dragões dependentes de butilbrometo de escopolamina irão clamar por atenção? Antecipo-me.

E deito sobre as molas do meu Castor ideal. E o toque de seda do meu Altenburg faz fluir a borrasca craniana. E não sinto o frio do vento porque os 180 fios do meu Buddenmeyer de solteiro me aquecem.

Nada de novo?

Pela galáxia do Samsung J1 Mini, uma cachaça fina agita a massa:

ꟷ Como apóstolo da insurreição, Aldir Blanc.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 05 de outubro de 2021.

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