Melhor
um textão que bancar idiota
Uma pessoa que nem eu sabe que é preciso
de coragem para dizer que estão escondendo a verdade pra gente. Mas eu vim
falar!
Pois é vendo que se aprende a amarrar o
cadarço dos sapatos. É vendo que se aprende a escovar os dentes. Também é vendo
que se aprende a dormir sentado. Já cochilar em pé, isso se aprende sozinho.
Copiar quem sabe não tem nada de admirável.
Ganha-se tempo. E, sem notar que a vida é insatisfatória, vai-se vivendo.
Juízo, porque o ônibus acaba de virar a
esquina, não invente de sair correndo com tênis desamarrado. Para não ser chamado
de bobo, não veja problema onde não existe: em tênis sem cadarço, basta enfiar
os pés. E busão atrasado também pega gente atrasada.
Você chegou aqui. Então, já percebeu que
posso ter argumentos e sei organizá-los para dizer dos meus sentimentos.
Como eu compartilho apenas o que acho
importante, não entendo por que tem gente que reclama que posto textão. Se
tenho tanta coisa para dizer, direi tudo sem abrir mão de usar as palavras
necessárias.
Ontem, estive numa farmácia. Precisava
de B12. Mas tem que ser a versão “metilcobalamina”. A médica disse que não era
para comprar a versão “cobalamina”, pois o metabolismo é diferente. Acreditei.
Então, lá na minha vez de ser atendido,
continuei atento.
O homem que olhava o celular fez que
ignorou a grávida que trazia na mão um pacote de fraldas. Era direito dele de ocupar-se
com a sua leitura.
Eu sei que a cestinha cheia de vitaminas
e whey de baunilha não ficaria mais leve, só não precisava sorrir daquele
jeito, porque o sorriso que ele fez sinalizou: nesta fila, ninguém terá a
preferência.
É claro que gentileza não implica em
fazer-se de palhaço, porque a decisão de comportar-se assim ou assado não é
dever, é direito.
Nestas horas, converso comigo mesmo. E
eu digo pro gato que me olha achando que vou dar petisco: prudência, sem mais ninguém
para servir de exemplo, tomo a iniciativa de agir como sempre: quero sentir
alegrias. Sabe aquelas alegrias que põem a gente no lugar da grávida que segura
um pacote de fraldas? Preciso dessa alegria.
Dá para fazer do mundo um lugar mais
luminoso mesmo sem ficar dizendo amém a todo instante, mas não tem janela
aberta que impeça a chuva de molhar o chão do quarto.
Se está molhado, enxugue-se o chão.
Depois do tombaço, repare: tem luz acesa com sol brilhando... Se lâmpada é
desperdício, apague-se. Se o banho vai durar dez minutos, não pense na represa
por dez minutos, banhe-se!
Porém, olhe o alerta! Não seja enganado:
você paga a conta da luz que o governo cobra caro!
E a gente tem que compartilhar as nossas
boas ações, assim quem é da turma de quem não cumprimenta quem chega sem
cumprimentar vai ficar encabulada. Daí a gente olha o celular. Entendeu?
Agora, se a pessoa começa a falar o que
pensa mesmo sem pedir licença, é preciso pegar o telefone. Se for o caso de
falar mais alto, que se fale! Se é pra gritar, a gente grita até a babaca falar
baixo.
Só não tem graça acreditar que a pessoa
que não enruga a testa é paciente. Quando ela não responde a ofensas, mais do
que palerma, ela é complacente. Deve achar que o seu coração pulsa por amor.
Quem ama sente o quanto a instabilidade
que o amor provoca. Só que manter no tornozelo uma correntinha de prata não equivale
a exibir coleira de ouro no pescoço.
Daí eu olho a minha cara no espelho.
Estou de testa franzida, sim. E tenho que falar o que penso, mesmo que só eu
esteja ouvindo.
Daí eu penso: sensatez, quando a franja
no olho incomoda, ela seja aparada. Se as entradas vão ficando indisfarçáveis,
raspe-se a cabeça. Esta pessoa que usa barbeador elétrico não está dispensada
de saber como não se cortar com uma lâmina de barbear. Raspo-me.
Já de cabeça raspada, sentei a bunda
diante da tevê.
Estavam dizendo que três ou mais pessoas
que se juntarem para praticar um crime formarão uma quadrilha. Disseram qual o
número do artigo e tal, só que não gravei. Estava pensando. Corri descobrir
onde a internet costuma esconder esse tipo de informação. Porque civismo tem
que ser prático, achei e copiei: Artigo 288.
Se vim aqui e postei o que estava
pensando, cometi crime?
Não sei se excesso de vitamina faz mal e
não disse para magoar a moça. A grávida é que devia ter exigido para passar na
frente. Daí não deixaria ela passar, pois é meu direito garantir o meu lugar!
A minha cabeça começou a arder. Fui ver
o que era. A gilete cortou bem no cocuruto. Joguei fora a maldita!
Há quem cuspa na mão pra que a saliva
ajude a limpar o corte, mas isso não serve se estiver chupando bala. Eu chupava
bala de morango. Então, pra não acabar com a careca melada, dispensei a saliva.
Como a água estava gelada, os pelos da
nuca arrepiaram. Bravo comigo por ter me cortado, resolvi terminar esta
postagem com a frieza do meu intelecto afiando a frase para soar cirúrgica a
mensagem que você vai ter que pensar para não perder o significado oculto:
Só babaca entra em banheira cheia de leite
longa vida.
Entendeu, né? Está bem na nossa cara: eles
não param de falar só pra gente não acreditar no que eles não estão dizendo.
Que bom que não precisei desenhar que
somos do bem!
Agora: trate de copiar e compartilhar.
Rodrigues da Silveira
Ibiúna, dia 23 de abril de 2026.
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