Por radicalismo ético, tomo a iniciativa
de pôr frente a frente o polo positivo que adestra as minhas mãos para que eu
tanja as pessoas ao ridículo e aquele outro polo, o que amestra a língua para
que eu louve sem subterfúgios as pessoas que zombam de mim.
Zombem, mofem, tirem sarro, façam rir
quem queira rir das minhas polarizações, porque sou osso, um osso duro, sou
desses que trincam, resistem até que haja fratura, justo onde o gesso é inútil,
dispensável, é curativo de todo ridículo, posto que o meu espírito tem
esqueleto que não cicatriza nem há de cicatrizar-se.
Ridiculamente ético, também quero zombar,
mofar, tirar sarro, fazer rir. Comigo rindo, o negócio da piada emperra, estou
rindo, a piada fica travada, sigo rindo, a contação chateia, é constrangedora a
insistência, eu tento e rio, é tamanha a falta de jeito que viro motivo pra
rirem.
Os zombeteiros põem pressão, riem, mas
minha mente não verga, não deforma, segue rija. Ela não trincará mesmo que principie
a doer. Se for doer, ela doa. A mente que vire doer, doa a valer, pra que cobras
e lagartos pululem na saliva.
Polo positivo, saiba que posso me manter
ridículo, posso apelar ao riso. Neurótico, apelo à intransigência do polo
negativo que encalacra o riso na goela, arranha as cordas vocais, produz uma
voz gutural.
Nem que eu pigarreie, ganhei essa voz inilimpável.
Guturalmente ridículo, polo negativo
travestido de positivo, o melhor furdunço que a minha cachola pode arrumar pra
mim é estabelecer-me como porta-voz de toda gente que se atreve a ridicularizar
autoridades quaisquer, sejam elas um pitbull, uma águia ou um tatu-bola.
Tatu-bolinha, polo positivo revestido de
positivo, descanso das rixas inglórias, deito o braço forte numa tipoia, pois,
adestrado e amestrado, rindo ridiculamente de tão dissimulado, emulo a negatividade.
Pelo humor marxista-grouchiano, vulgarizo
a vida, massageio egos alheios. Mal me toco, polo positivo e polo negativo, que
ambos repilam-se, se avacalhem, porque meu espírito tem como escalavrar os
beijos que não dei e os que não ganhei.
Compreendo-os, todavia não contem comigo
que eu opte pelo lado positivo do mundo, dispensando o outro destino.
Pelo meu mau caratismo radical, embrenho
na mente selvagem que minha baba acre diz que mofo, tiro onda e gracejo, pois,
sei bem, muito bem, que à melhor farra, à melhor festa, à melhor orgia não fui nem
hei de ser prestigiado como uma piada, mas engraçada.
Comigo a olhar no espelho, sinto que na
mesa estão o copo de café, o sanduíche de salame e as bolachinhas de banana, a
cadeira está puxada para o meu desfrute, o que não prevejo é que amanhã haverá
mais guerras, outras falcatruas na previdência, outras tantas quizílias a serem
desbaratadas.
Com mil e uma insolências, só me resta dizer
que, pra já, tem esse PSG X Botafogo, imperdível.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 19 de junho de 2025.
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