quinta-feira, 13 de março de 2025

Falso positivo

 

Falso positivo

 

Ser interpelado por algo escrito, eis a vanglória. Quando há embate pelo não escrito, há júbilo. Por esta glória esporadicamente alcançada, sinto o prazer de ter desejado cada palavra escrevinhada.

Meu sorriso não vem do inimigo interior que despreza meu sorriso, é para dar confiança à pessoa cativada que me toma por cativa.

Sim, esbalda-se este cronista: mastiga de boca fechada; bebe sem fazer ruídos; escuta o que é dito; matuta respostas astutas, justo essas que não diz; acha graça em falar o que se espera que eu fale.

Por pacíficos, conformamos a harmonia.

Houvesse apenas desapontado quem me faz ouvi-la, essa pessoa não chegaria ao ponto de ameaçar-me.

Ela afirma que deixará de ler as minhas crônicas; mordo o pastel de carne. Ela assegura que minha recusa em desculpar-me por escrito a obrigará a bloquear-me; tomo um gole de garapa. Ela garante que fará tudo o que estiver ao seu alcance para que haja o meu cancelamento; não me furto de dizer-lhe quais são meus nicknames.

Devidamente avisado, confirmo, estou devidamente envergonhado, adianto, minha vergonha de escrevinhador corrigido pela prudência me fará agir com empatia, afianço, passarei a escrever pondo-me no lugar do outro, comovido, eu topo, mudarei minha conduta.

Porei misericórdia ao escrever.

Se o Timão precisa de mais um gol pra seguir na Libertadores, dou como feito que este gol esteja faltando. Assim, bando de loucos, a faixa de campeão 2026 seja envergada, o tutu seja creditado, o chope esteja gelado como deve estar.

Não é por acaso, faço que nem a Sylvia Telles, ela canta que o vento que fala nas folhas contando as histórias de ninguém, ele, vento, conta ainda que as histórias são minhas e de você também.

Prezo a crônica que especula.

Se o Liverpool, que, de momento, joga o melhor futebol da Europa, perde nos pênaltis, que o PSG sinta esta perda, Darwin Núñez, como cobra que morde o próprio rabo, que ele prove do mesmo veneno, que o PSG, Curtis Jones, que o PSG ainda perca.

Se três vezes eu digo, que as três vezes não me bastem, direi pela terceira vez, que cantarei a história que ninguém antes haja ouvido de mim que não a cantei.

Moça Bonita...

Em crônica já publicada, Moça Bonita não é mulher, é apelido, não é gente que goste, aprecie e aprove que a digam patriarcal, gente que peça por anistia antes do carimbo, que a cacifem culpada a merecer a culpa que não tem e não julga ter. Todavia, no transitado e julgado que, ao fim e ao cabo, tenha por cumprir, posto que se cumpra e, sob vara, se cumpra.

Apoteoticamente, tomo pé do siso que me norteia, anoto, injuriado pelo que não houve, não há nem haverá de haver, opino que o pênalti do Arboleda no Vítor Roque é pênalti inexistente, e a penalidade, VAR, o que sucede é o simulacro a olhos vistos, o dobrar-se sobre perna que se recolhe vai seguir patético por Paulistas afora.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 13 de março de 2025.

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