Ser interpelado por algo escrito, eis a
vanglória. Quando há embate pelo não escrito, há júbilo. Por esta glória esporadicamente
alcançada, sinto o prazer de ter desejado cada palavra escrevinhada.
Meu sorriso não vem do inimigo interior
que despreza meu sorriso, é para dar confiança à pessoa cativada que me toma
por cativa.
Sim, esbalda-se este cronista: mastiga
de boca fechada; bebe sem fazer ruídos; escuta o que é dito; matuta respostas
astutas, justo essas que não diz; acha graça em falar o que se espera que eu
fale.
Por pacíficos, conformamos a harmonia.
Houvesse apenas desapontado quem me faz ouvi-la,
essa pessoa não chegaria ao ponto de ameaçar-me.
Ela afirma que deixará de ler as minhas
crônicas; mordo o pastel de carne. Ela assegura que minha recusa em desculpar-me
por escrito a obrigará a bloquear-me; tomo um gole de garapa. Ela garante que
fará tudo o que estiver ao seu alcance para que haja o meu cancelamento; não me
furto de dizer-lhe quais são meus nicknames.
Devidamente avisado, confirmo, estou
devidamente envergonhado, adianto, minha vergonha de escrevinhador corrigido
pela prudência me fará agir com empatia, afianço, passarei a escrever pondo-me
no lugar do outro, comovido, eu topo, mudarei minha conduta.
Porei misericórdia ao escrever.
Se o Timão precisa de mais um gol pra
seguir na Libertadores, dou como feito que este gol esteja faltando. Assim, bando
de loucos, a faixa de campeão 2026 seja envergada, o tutu seja creditado, o chope
esteja gelado como deve estar.
Não é por acaso, faço que nem a Sylvia
Telles, ela canta que o vento que fala nas folhas contando as histórias de
ninguém, ele, vento, conta ainda que as histórias são minhas e de você
também.
Prezo a crônica que especula.
Se o Liverpool, que, de momento, joga o
melhor futebol da Europa, perde nos pênaltis, que o PSG sinta esta perda, Darwin
Núñez, como cobra que morde o próprio rabo, que ele prove do mesmo veneno, que
o PSG, Curtis Jones, que o PSG ainda perca.
Se três vezes eu digo, que as três vezes
não me bastem, direi pela terceira vez, que cantarei a história que ninguém
antes haja ouvido de mim que não a cantei.
Moça Bonita...
Em crônica já publicada, Moça Bonita não
é mulher, é apelido, não é gente que goste, aprecie e aprove que a digam patriarcal,
gente que peça por anistia antes do carimbo, que a cacifem culpada a merecer a culpa
que não tem e não julga ter. Todavia, no transitado e julgado que, ao fim e ao
cabo, tenha por cumprir, posto que se cumpra e, sob vara, se cumpra.
Apoteoticamente, tomo pé do siso que me norteia,
anoto, injuriado pelo que não houve, não há nem haverá de haver, opino que o pênalti
do Arboleda no Vítor Roque é pênalti inexistente, e a penalidade, VAR, o que sucede
é o simulacro a olhos vistos, o dobrar-se sobre perna que se recolhe vai seguir
patético por Paulistas afora.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 13 de março de 2025.
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