Um
barulho desses
Aí está, como se deu a abordagem, eis
que os dois tapinhas no meu ombro trouxeram-me à crônica.
Não chiei. De imediato, só preferi não sorrir.
Com a transparência de represar o meu contentamento
por ter sido reconhecido, envaideceu-me ouvir traçada a linhagem a qual
pertenço, de filho desta Terra Preta desde o século 18.
Sorriria com a mais sincera tolerância se
conhecesse quem dera as batidinhas no ombro, posto que poderia chamá-lo pelo
nome completo, tal qual mamãe quando me instituía em reizinho.
Não sendo a primeira vez que o luar não
ilumina os meus caminhos, já que, amiúde, me desnorteio na escuridão das
madrugadas, ele doía porque dei uma baita topada num batente.
Tirando mamãe do que virá, e para a
alegria de quem gosta de ver o calhambeque explodindo no picadeiro, o narrador está
muito a fim de palhaçada.
Maluco por detonações do que posso implodir
sem as censuras de uma alma bem cultivada, fui paciente com os perdigotos, uma
vez que, se não me desse ouvidos, o pavio resultaria molhado.
Bom ateu que sabe o quão afetuoso é desejar
um domingo na paz do senhor, devolvendo os dois tapinhas no ombro amigo, disse-lhe
que o mundo ainda pode revelar-se surpreendente.
A realidade esconde o tanto de gente
valorosa, gente que não bate no peito a cada vez que paga uma conta em dia,
gente solícita que não se furta ao pingado com pão na chapa a quem os esmole.
Poderia ter desejado que tivéssemos um
belo domingo, o altruísta, todavia, se sobressaiu.
― O senhor aceita que lhe pague um
cafezinho?
Antes que eu me tomasse por idiota,
fomos bebê-lo.
Sem detença, mostrou-me a postagem que publicara.
Não só, uma vez que, sentindo-me cordial, ele tomara para si a leitura.
O peixe não sabe o que sejam água, nadar
e minhoca, ainda que o seu habitat seja a água, que bater as barbatanas ajude-o
a circular pela água e que as minhocas são bichos que o alimentam.
Assim como Netuno, o peixe reina na
água.
Ainda que ignore quais os determinismos
da natureza que o tenham feito nascer peixe e o destinem a morrer um, o peixe
não conhecerá a felicidade de saber-se nascido para morrer como peixe.
Assim como Dori, o peixe não precisa se
lembrar de comer porque a sua boca não sabe ficar fechada.
Um jeito prático para um peixe parar
quieto é entupi-lo de minhoca, fisgando-o. Porque Deus ensina a pescar a cada
vez que pegamos da vara e damos linha à minhoca que enfiamos no ventre que
nunca para de correr.
Assim como a vida é um rio que não para
de passar, também nós, humanos e imortais, passaremos ao seio de Deus quando
for o tempo de sermos passados.
E só pelas boas pescarias que daremos em
bom pescado.
Assim Deus tudo ceva e fisga, que Sua
palavra tanto é rio que não seca quanto o que afoga a ímpios e injustos; tanto Deus
é a água que alimenta quanto é o Sena que tira do páreo quem zomba da
resistência da nossa gente mais resiliente.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 06 de agosto de 2024.
Nenhum comentário:
Postar um comentário