O
lado verde da força
Desculpe-me, Zeca, mas tentei. Nas
tantas vezes de meu empenho em não me orgulhar, maior o desastre. Se meu
raciocínio não me pega em uma de suas artimanhas, sou capaz apenas de não me
envaidecer de minha resiliência.
Desculpe-me, Zeca, jamais tentei
ludibriá-lo de que me envaideço do orgulho pelo que faço. Ainda que muitas
vezes tenha falhado, ainda assim, falho e fracassado, quando erro, e admito ter
errado, tento não me esforçar em vão.
Quero entender o passo em falso; busco
pelo ponto em que a falha está. Quero compreender o tamanho do que me põe
impactado; busco a lógica que me faz estranho à razão dos malogros. Quero
mensurar o tanto que há de arredio à minha especulação, procuro a razão atrás
da racionalidade. Quero alcançar a origem das falhas, não busco dominar-me para
que eu erre menos; quero saber de onde vem tal impulso. Não errarei menos e,
por óbvio, sentir-me-ei seguidamente orgulhoso.
Acho interessantes as pessoas que vivem
em função de propósitos definidos, mas, a elas, só fico interessante quando
estanco diante das encruzilhadas: há caminhos que me levam a considerar que posso
agir com agilidade e, como fezes repousando no bronze, há estradas pelas quais
ponho-me devagar.
Contemplo-me, logo sou reflexo às
veredas em que vejo e àquelas em que me veem. Contemplo que não me vejo
representado em efígie, um figurante, apresento-me, porém, feito figura, escultura
a configurar-me passível ao efêmero.
Desculpe-me, Zeca, veja-me pelo que
esteja visível, pois eu mesmo não me esmero em desvelar o que nos esteja interditado.
Apesar do guarda-chuva, está em sopa por
que precisou comprá-lo às pressas ou tomou banho de roupa?
Pede-me um exemplo menos absurdo?
Dou-lhe.
Zeca, desculpe-me que o admoeste pelos arrotos.
Você perceberá no seu arroto o cheirinho de café; no entanto, só você dirá que
o tenha tomado na cozinha da sua casa ou se foi na padoca.
Dá-lo a você, Zeca, faz-me repassar
o que havia dito.
Tiro as fezes ao bronze; troco isso pela
poeira n’Os Candangos em madeira na mesinha da sala.
Uma vez que a janela da sala está
fechada, estará a lembrancinha suja por que não é limpa há semanas ou só bastou
a ventania de ontem ter entrado pra tê-la deixado imunda?
Desculpe-me se o aborreço, mas há
arrotos que escapam enquanto fala e aqueles que vêm do refri, a esses você tem que
dar escape para que não causem mal-estar.
Não quero nem falar daquele cheiro do
escapamento que gruda na garganta. Tussa na hora, pois esse ar tóxico é muito
fétido.
Em vez de motor a gasolina ou diesel, escolha
um elétrico. No caso da eletricidade, prefira a produzida por usinas eólicas ou
solares, pois energia de hidrelétrica não é genuinamente verde, sim, represamentos
agridem o ambiente.
Parado na garagem estou isento da sublevação
climática?
Outrossim, Zeca, eu te perdoo.
Seu Fusquinha,
Garagem Gaia, dia 03 de dezembro de 2023.
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