Lado
a lado
Temos caminhado, eu sei. Do jeito que
podemos, vamos indo, você sabe. Vamos caminhando. Não paramos. Mesmo cansados,
topamos seguir sob pressão. Que o momento peça-nos mais entrega, topamos
atender o que é pedido.
Atenderemos, não seremos beligerantes. Viveremos
sob demanda. Ainda que haja desconfiança e medo, desejaremos experimentar o que
nos esteja proibido de aprender. Caso seja preciso, aprenderemos com a faca nos
dentes, aprenderemos ainda que nos faltem os dentes.
Por isso, não paramos de suar. Embora
suar seja consequência de caminharmos, prosseguimos. Mesmo suando, não desistimos.
Mesmo fedendo, não deixaremos de continuar, e andamos.
Ainda que suados, cansados, com bolhas
nos pés, caminharemos sempre. Nem que essa nem seja uma necessidade nossa,
precisamos aprender que certas demandas que nos dizem respeito precisam ser percebidas.
Ainda que estejamos suados, iremos em frente. Ainda que ziguezagueando, que nos
seja imperativo parecermos perdidos, ainda assim, simularemos que vamos a esmo,
e seguiremos em frente.
Você e eu precisaremos aprender que
precisamos nos esforçar; as bolhas que podem ser evitadas precisarão não ser. E
sofreremos. Você e eu não sabemos como tornar estimulante o esforço, e continuaremos
caminhando. Ainda que você e eu nem saibamos que vamos em frente, nós iremos,
daremos esse passo adiante.
E não vamos juntos, sabemos. Não pararmos
de caminhar, isso não é novidade. Nada há de novo na caminhada. O novo, nem a
você nem a mim o novo não nos aproxima. Antes, o novo afasta-nos.
Novo é sabermos que não estamos juntos,
fomos ajuntados, fomos aproximados. Sem que nos déssemos conta da proximidade,
seguimos próximos. Sem sabermos por que estamos juntos, nem paramos.
Por estarmos tão próximos, podemos
cuspir um no outro. Sabemos que podemos atingir-nos com as nossas cusparadas.
No entanto, não cuspimos. Nem olhamos de lado. Porque saberemos fingir, sequer
nos olharemos de soslaio. Mesmo que possamos querer, não cuspiremos um na fuça
do outro.
Que cada um cuspa no outro quando
ninguém estiver vendo.
Eu, por exemplo, não olho de lado. Evito
que nos encaremos. Você, por sua vez, me encara com raiva. Aprendermos a
conviver, desde que forcemos a convivência. Sigamos intolerantes, você e eu saibamos
nos suportar. Cegos e cegados, prosseguiremos.
Por não nos querermos iludidos, ainda
que aprendamos a fingir que não estamos, saberemos que a caminhada não será
menos cansativa sem que nos seja preciso desejarmos que nos seja uma jornada mais
aprazível, mais deleitável, bem mais produtiva.
Pra sermos bons no que fizermos,
aprenderemos a melhorar a cada dia. Para atingirmos a excelência, melhoraremos.
Para prosseguirmos na jornada, viveremos um fracasso de cada vez.
Pro lobo que me fizer de lobo, pularei na
casca do ovo.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 28 de dezembro de 2023.
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