É balela dizer que atualmente o tempo
voa a tal velocidade que até a luz demora uma merrequinha para afigurar-se uma
ideia. Penso, logo foi-se o Concorde. Nestes momentos, o dia empaca, mas faço de
conta que o esvaziamento da mente é comigo.
Como meditar é competência, ouço música.
Uma vez que canções têm poder sobre mim, porque as palavras me encantam,
escolho uma peça instrumental. E imagens vêm e vão, transmutam-se; magnéticas,
seduzem a pensar. Tanto penso que a música vira paisagem, passa a segundo plano.
Com sonatas para piano ou quartetos de cordas, trato de não fazer o esforço de
pensar sem palavras, que somem numa boa. Como efeito do pensamento não
consciente, a respiração é relaxante, eu sossego o ego. Estou em mim, todavia me
restrinjo. Sem ausência e sem falta, eu abro espaço. Desatento ao instante, é neste
ínterim de eternidade que saboreio não satisfazer qualquer desejo.
Por que cargas d’água Palhaço haveria
de combinar com a legenda sobre um cerco numa floresta da Pensilvânia?
Naquele mato tem lobo, disso eu não
duvido. Segundo asseveram doutos severos, o lobo é o homem do lobo. Nisso, arremato
a charada: a massa cinzenta do cérebro combina com o cinzento da pele. Assim,
fica constatado que a força vital é constante no universo.
O que não determina que o cosmo esteja
eternamente indo e vindo. O que acarreta é que o sonho de Brahma está em
sintonia com o sonho do Gismonti revelado em mim pela respiração.
Pressinto que há muito que ver entre a
oxigenação do meu cérebro por Infância e a exsudação da mata nesse Condado
de Chester.
Penso no lobo e na loba que alimentam os
filhotes. Têm estratégias pra assaltar coelhos, esquilos e castores. E
redimensiono o alcance do que suponho: a matilha tocaia bisões e alces,
abocanha-os.
Ao descuidar das caraminholas em
suspensão, o olhar apaga-se da realidade, cujo escrito na tela não identifica como
sendo minha a alma da carne estirada no sofá, ainda que legende o que nem sei o
que seja, isso: South Coventry.
O disco Alma é sensacional, até o
engano é sanado sem que suba à consciência que alcateia é coletivo de lobos e
matilha, de cães.
Não preciso traduzir em palavras a
imagem de mulheres e homens ao redor de uma fogueira. Cirandam, e brincam. No
que ouço, também estou na roda, e brinco, estou concentrado no Maracatu.
Quem não trava é a câmera. Do
helicóptero, ela localiza os animais que cercam uma pilha de troncos. A
alcateia difunde calor. Mas é uma temperatura diferente que permite a
localização de outro indivíduo em uma montanha de lenha.
Aqui e agora, focalizo: eu Frevo!
Os lobos ajudam o sujeito. Que a sua captura seja instantânea, sem danos aos caçadores. Sua tatuagem seja mostrada a todos os rincões da Terra.
Estrela do Meio-Dia, que ele cumpra o que a lei dos
homens lhe reserva: seja fotografado com o Yoda que o lambeu no cocuruto.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 14 de setembro de 2023.
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