Boa
gente
Mesmo que as rotulem idiotas, há pessoas
que sorriem quando lhes são feitos pedidos. Ficar de braços cruzados não tem
graça, melhor é limpar caixa d’água. Sim, dinheiro importa, mas o menor bico é
menos estressante que a ociosidade. Pois dez minutos em inatividade é mais
exasperante que tirar cinquentinha por trocar um sifão em dez minutos.
Tem gente que vende a imagem de pessoa
que não gosta de perder tempo, só não revela que faz tudo às pressas. Sem falar
na dificuldade que é encontrar um portão mal pintado que testemunhe a favor dessa
gente que vira maria-mole porque tem trabalho duro pra dar conta.
Com a experiência, sempre vem o momento
em que o fígado toma a iniciativa de suplicar por alopáticos bem conceituados.
Afora o bom conceito dos seus princípios
ativos, pro fármaco chegar a quem demanda uma limpeza quântica das entranhas
que as estrelas recomendam, as maiores redes de farmácias sabem ser audazes com
a respeitável audiência, ou não contratariam carinhas conhecidas que o público
legitima como astros de ilibada magnitude.
Todo corpo de brilho intenso gera campo
magnético, mas não basta simpatia a famosas e famosos, para que a atração gere
calor e o calor seja transformado em afeto, eles têm que ser subscritores deste
adágio elementar: como não machuca o prestígio nem arranha a consciência, dinheiro
é chaga boa de coçar.
E gente que adora coçar a bondade alheia
sabe integrar-se à fama, fazendo mais relevante quem mereça curtidas contínuas,
perscrutando postagens pra que mais pessoas julguem positivamente quem merece
que as curtidas sigam em alta, examinando imagens com o objetivo de expandir
órbitas, tornando vasto o território iluminado pelos astros que não cessam de
evoluir, esculpindo a aura bruta até que venha à luz a alegria deste ser que
não enjoa, não entedia nem repele, o ídolo.
Não se trata de “sarna”, trata-se de
“generosidade”.
Assim como beijar fotos de gente
admirável é uma coisa excelente, replicar gentilezas é rebelar-se contra os
amargos, os pessimistas e os reacionários.
Fulcral é denunciar essa turba que não
propaga o amor, mas almeja ser agradecida pela mente aguçada. Embora admita
trazer um buraco negro na alma, esta chusma adora fazer-se inútil, disfuncional,
mão na roda pra atrapalhar quem deseja alçar-se à fortuna.
Aliás, é de bom-tom afirmar que cachê
graúdo não impulsiona quem diz que é amoroso não dispensar a ajuda de pessoas solícitas
que não conseguem manter-se de braços cruzados.
Eita!
As estrelas são adoráveis justamente
porque intuem: quem trabalha pra caramba leva jeito pra fama de não ter
vergonha de aceitar a ajuda de mãozinhas colaboradoras.
Alma altruísta, que só sabe ser gentil sem
moderação, faça selfies, compartilhe os elogios que lhe fazem, beba sem cara
feia a mistura de conhaque, vermute e suco de limão.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 27 de setembro de 2023.
Nenhum comentário:
Postar um comentário