Tão
doces, bebericam cervejinha.
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Seria bom ter ido pescar, as contas não reclamariam.
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E elas são tantas que a gente bem merecia ter ido pescar.
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É porque relaxa que a vida aprova uma boa pescaria.
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Cabeça quente atrapalha a vida.
As
vozes já aumentadas levemente.
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O banco não cobra tranquilidade, arrocha pelos juros.
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É uma vergonha. O banco lucra com gente que não pensa. Basta ver números que
parecem bons, soam bem, são menores no valor, que a cabeça de vento nem liga
pro aumento das parcelas.
Gole
a gole, já um bom tanto alterados.
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E gerente ajuda quem corre pescar? Gerente diz que ajuda quem piora a situação
pagando com o dinheiro que não tem.
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O pessoal do banco é inteligente, vive tentando. Como a gente é educada, não
tem telefonema que não seja atendido, todos os e-mails recebidos merecem
resposta. Os links? Não tem link que mandam pro celular que a gente não acesse.
Pena que o dinheiro não seja fraterno com pobreza, ele aumenta a miséria indo
pros terceiros.
Evitando
a estupidez de secar a garrafa, pedem o que nem bebem.
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Você tem que comprar um barco maior, um que tenha motor forte. Cansa remar, o
barquinho atual parece uma canoa mixuruca. E a gente não é atleta pra usar
remos. Haja braço!
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Concordo. Vou financiar uma lancha, pois eu quero potência.
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Que maravilha! Ir pescar atum no meio do mar.
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Nada de atum, robalo ou corvina. Bom é pegar marlim.
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E peixe-espada, então? Será a vitória!
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Mais do que vitória, é a glória!
Sem
anunciar com espalhafato, babam.
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Quem pegou peixe-espada diz que a gente fica sem dormir. Nem com champanhe nem
com cachaça, não dorme.
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Chega de ficar cochilando em beira de rio.
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E rio nem tem tainha pra gente assar na telha.
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Nem robalo nem pargo. Camarão e lagosta? Neca!
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Não vou voltar pra riachinho que só tem cará.
Lambuzam-se
com a saliva.
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O negócio é levantar peixe graúdo que fica bem na parede.
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Vou forrar a parede de foto com peixão pra lá de metro.
Eufóricos,
perdigotam.
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Na lancha dá pra tomar sol sem medo de bisbilhoteiro tirando foto da gente que
nem repara na audácia da invasão.
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Lancha, nada! Vou financiar um iate que tenha quarto e cozinha.
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Nós merecemos, caramba. Chega de pensamento negativo.
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A gente trabalha que nem jumento. E rala que nem reclama. Está na hora de cobrar
uma condição melhor.
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Claro! Estamos em condições de subir de vida.
Brindam
que a cerveja salta pras roupas, pra mesa, pro chão.
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Viva! Aos pescadores que nunca desanimam.
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Viva! Aos pescadores!
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A felicidade é mostrar pro peixe a alegria de honrá-lo. Que ele dê trabalho,
canse, que é assim que se põe o troféu na parede.
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Sem dúvida, a nobreza do peixe está na canseira que ele dá.
Na
ponta do lápis, o dono do bar tem tudo somadinho.
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Viva! Eu aguento tomar um barril.
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Eu nem sei! Aos sete mares, um brinde! Viva!
Não
é por excesso de alegria que o bar vai fechar, já é hora.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna,
dia 23 de junho de 2022.
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