Pegue
jeito, sonso. Tome o controle, tonto. Mas não seja impulsivo. Porque o
precipitado perde-se. E perdido, vira reclamar que tem razão. Quando quer algo,
meça. Saiba medir e aja, não fique só no desejo. Desde que realmente saiba, não
fuja do que de fato deseja tanto.
Assim
como o relógio da matriz tem semana que passa badalando os seus sinos com dois
minutos de atraso, como se fosse possível ter controle sobre a ansiedade, como
se os sons chegassem do passado, querendo com isso apontar que a recordação do
que se está vivendo apurasse a realidade pelo que tenha sido vivido, assim, aja.
Sobre
a vontade, tome pulso. Queira ratificar-se como ser vivo que pensa e diz a
própria experiência de estar vivo enquanto vive. Dê esse passo, e faça andar o
mundo. Ande no mundo, não enrole. Porque um querer a mais não move moinho. Não
basta. Não vacile, aja. Vacilante, aja com educação. Ponha os bons modos à
frente, porque alguém que sabe o que quer tem o pudor de não se fingir de
indeciso.
Assim
como o relógio da matriz tem semana que passa badalando os seus sinos com três
minutos adiantados, como se fosse provável o controle sobre o futuro, como se
os sons trouxessem o que ainda não se sabe ter vivido segundo o que se quer
enquanto destino, como se a conjunção das possibilidades nem decorresse do que
se faz, faça-se.
Agora?
Hoje. Hoje? Então, que seja momento único. Inesquecível. Uma noite de gala. Noite
de gala? Noite de pizza. Noite de pizza? Que seja. Mesmo não sendo sábado?
Mesmo. Pense bem, a semana tem sido puxada. Bastante puxada. O ar está pesado.
O chão foge dos pés. Os remédios não têm dado conta do sufoco. A pressão é
tanta que nem as pílulas para baixar a pressão têm funcionado. Haja calmante.
Pois é, amigão, a semana tem que acabar numa pizza. Tem sido tensa. Tão exaustiva.
Muito exasperante. Para hoje? Agora.
Meio
a meio? Portuguesa e calabresa. Ou portuguesa e de atum. Ou de atum e quatro
queijos. Que alivie o estresse. Para que ao menos o estresse não extrapole. O
estômago? A noite ronca. O estômago não dorme. Não dá trégua. Por inteiro. Inteiramente.
Tão irritante. Muito. Tem havido um estresse desumano. Insuportável. Que
derruba quem acha que suporta. Não aguenta o peso. Entra em colapso. Afunda.
Que
troço chato. Chato para dedéu. Melhor mudar de assunto. Para falar do quê? Da
casa suja. Das folhas rasgadas no chão do quarto? Pelo quarto todo. Anotações
de um diário ilegível. Que língua esquita que não diz nada sobre o momento! Pois
é.
Ora,
você poderia ter sido menos idealista. Mais real? Menos bobo. Alguém parecido comigo
neste instante? Você é uma pessoa que tem telefone. Mas, então? Então, peça aquela
pizza sem igual que apenas você sabe o quanto precisa, mas coma curtindo cada
mordida.
Comer
antes que esfrie? Coma.
Mas
comida quente não queima a língua?
Zonzo,
queimemos.
Rodrigues da Silveira
Ibiúna,
dia 03 de junho de 2021.
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