Pedido
executado
Segundo penso, um texto
(seja foto de pangolim, música do André Mehmari ou poema do Chacal) funciona
feito espelho. Boto a cara ao interpretá-lo, recompondo-me ao circunstanciá-lo,
a cada leitura.
Uma vez que pedras de rio
não param, desenrolo.
Veja bem, quando falta ar
ou o chão escapa de sob os pés, então, a coisa fica bagunçada. Depois da chuva,
digo, o bueiro sabe os fatos do alagamento. Vou indo, a leptospirose conhece o rato
pela urina. A bobeira dá de repente, sento no meio-fio. Apoio a nuca no poste, não
apoio o medo. Não desmaio. Suporto o equilíbrio, puxo pelo ar.
Não entenda mal. Preciso
respirar; falha minha, eu sei. Respeito a senhora que está de luto, vejo o
terço. Ora, não condeno que reze. Já a chaminé da pizzaria diz que hoje tem
futebol, fuma de louca. Nada de pizza, queria ter micro-ondas e escafandro, mas
o antigamente de mim segue roendo nas juntas. Dou minha palavra, a de quem
assobia mal, dança mal e põe fé que mal exista.
Prefiro o fósforo, uso
fogão, tenho só um bujão de 13 kg. Simples, prático, jurássico. Normal, tenho é
tesão no raso dos dias.
Pelo jeito, nem estou me entendendo,
por isso desisto de explicar. A charada na cabeça põe o insolúvel. Ajeito-me
com o jornal. Tenho meio século pesando na cerviz, ó inestimável autoestima.
O que eu quis dizer, e
quero ainda, é que onde não há explicação, seja possível que haja, embora não
alcance o sentido de escamotear o que já está ininteligível. Em outras
palavras, quando não for insano, tornar possível que seja. Assim, para tornar
indeduzível que haja o C, rejeite-se a relação de A com B. Portanto, sem a
paranoia de querer associar nome a lugar.
Pra evitar confusão, já
que não dá pra evitá-la, que o possível flua. Sem mensagem sub-reptícia,
algaravia, mimimi.
Quando não está confuso,
que fique. Existe razão pra complicar o simples, falta sabê-la. Atira-se na
lata, acerta-se no alvo; sendo o alvo o branco, mesmo que não seja; mesmo que,
no escuro, acerte-se no atirado. Acima da linha do oceano, olho.
No jogo de castas antenadas,
melhor dormir depois da novela. Já que nada existe de fantasmagórico, quero
sonhar. Sem luneta, que o perplexo em mim dê vida ao Atlântico.
Memórias de um marquês de
milícias?
Ninguém
é grande homem em tudo e em todo o tempo. Quem não desconfia de si, não merece
a confiança dos outros. Os homens mais respeitados não são sempre os mais
respeitáveis. Os nossos maiores inimigos existem dentro de nós mesmos: são os
nossos erros, vícios e paixões. O homem que despreza a opinião pública é muito
tolo ou muito sábio. A pobreza e a preguiça andam sempre em companhia. Nenhum
governo é bom para os homens maus.
Por que não se pergunta,
pergunte-se.
Como há limite para tudo,
peça crédito. O sol perde o sono com a cortina rasgada. Não há passo sem dá-lo.
Da pisadela ao beliscão, o
G rebenta no meio.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 13 de fevereiro de
2020.
Nenhum comentário:
Postar um comentário