Caro
Doutor Máquina,
Chapinhar os caminhos com os pés
rumorejantes afetará a coluna se o fizermos de cócoras. Relida, a poeta ainda
me diz: o que ficou, ficou. Os pés no chão podem murmurar as águas, as passadas
pela peneira da memória. Entenda, o amanhã que pende da teia do porvir aquece o
nariz de quem diz a verdade, tanto quanto as orelhas de quem a subverte. Se
veio, veio de onde proveio. Fez subir o calor do esperma no testículo? Fez subir
o sangue no ovário? Até onde me é possível a separação, há construção histórica.
Com o fio da cultura, o tapete. Na fonte da saúde, o pleno do abraço entre
irmãos, amigos, humanos. Os irmãos que podem ser irmãs, amigas, humanas. Também
o são, ainda que o sejam apenas homens e apenas mulheres. A língua falha ao
dizer o que pode ser dito quando não o diz. Mas quem espera da palavra a alegria
da promessa, erra. A palavra que nomeia é a que invisibiliza. A substância com
que me faço. Me fabrico com tempo e lugar. O resíduo do assíduo não faz o
indivíduo. Tento me ligar, e mesmo se não posso. Ponte. Corro minhas águas. Rios
do efêmero, corredeiras do inesperado, em queda. Pedra sobre pétalas. Aroma apagado
na pegada. Pelas trilhas que me ajuntam, e me bifurcam. Falanges de falantes. Falha
a fala quando calha de não me calar. O calo da calma. A lama do que falo. A flama
da chama que me chama pelo nome. Palavra pega palavra. Mão pega na mão. Bruxa
que não broxa. Broto sem alarido e estampido. Mas estampado. Bruto da brita. Espero,
separo. Íntimo. Intimidado. Perdido. Achado. Rachado. Partido. É o vaso. Selo.
Silo. Sal de cebolas. Céu de sementes. Mel de cidra. Mal do molar. Mol de molhos.
Mil folhas. Coruja, caramujo. Prima pelo prisma. Lesma. Resma. Cisma. Sismo. O
abalo badala. A sina do sino da madrugada. Crisma da crise. Célula de luz.
Cédula na rua. Reino do feliz. O amaro. Runa da peste. Ruína do pedestre.
Rumos. Rumores. Voa, táctil. Voeja, frágil. Rumoreja, dúctil. A sorte, o norte.
Tem o mote da morte, a forte. Como um qualquer, tente o que sente. Desinvente-se.
Dê porto ao torto. Poste. Aposte. Comporte-se. Boçal. Postal. Portal de si.
Pulsa a repulsa. Impulsiona pressões. Impressiona ladeira acima. Ladeira abaixo?
Sem as facilidades da felicidade que não se busca. Brusca, a freada. Tosca, a fritada.
Pense, serpente. Fabrique-se, serpeje. Vida, chave sem porta. A vida que fede,
fodida. A que se mede, desmedida. Cálculo. Quando há, e porque há, que haja. A
poesia que falta. A poesia do que falha. A hora da mágoa. O ouro da água. Baba,
de bobo. Terra. Terror. O aterrado. No solo, sob o sol. A pé. Vai rindo. Lindo,
vem vindo. Vazão. Desvão. Desrazão. Consoada. Consonante. Constipada. Local, no
rim. Focal, chinfrim. Bocal, enfim. Assim, o assado. Eco do lesado. O pesado do
oco. Hepático. Linfático. Enfático. O empático. Um simpático.
Outrossim, outro sim. Sim,
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 02 de julho de 2019.
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