O
Coiso
Esta oração que não é uma oração
foi-me ditada por minha mente narcotizada. Por isso, os meus agradecimentos
públicos ao doutor Atanásio Baptista e à sua assistente Marineide que a
colocaram no estado de declarações incontroladas pelo censor que há em mim,
pelo hábito da proximidade. Uma convivência comigo há mais de 50 anos emperra a
espontaneidade, né?
Em outras palavras, para dirimir
quaisquer imprecisões: as certezas cegam; os arautos da certeza ensurdecem; os
acólitos dos arautos tagarelam. Assim, os erros disciplinam a mente de uma
pessoa. A minha, sim. Com a presunção de que sei como sou, posto que me arrisco
a dizer categoricamente quem sou. A audácia da afirmação, mais antidepressivos,
ansiolíticos e os analgésicos, claro, ou estaria blefando.
Falei da mente, e só da mente. Uma vez
que o corpo segue indomável, insurgente, contrário aos ditames da boa mesa, das
maneiras de berço, dos talheres adequados à tainha na telha.
Muito bem, é um caminho. Mas a mente
julga adestráveis as nádegas na sela. Todavia, é preciso combinar com o pangaré
que a hípica aceita saltos estrambóticos, disciplinadamente de equipe. Nada de
solo fora de hora, refugos inconsequentes, os coices apologéticos. Se não for
assim, desgrama!, o parágrafo estará perdido.
Pois bem, penso no calhambeque do
circo. É que vem junto a trupe dos palhaços. A graça é resistir pelo riso,
esperando o carro ser detonado, vê-lo em pedaços. Depois, há o espetáculo a
seguir, da próxima sessão, e já tem fila no guichê. O bicho? A máquina estará
inteirinha, afinal, eba!, não se destrói o que vai ao chão. E o que seria da
alegria das crianças se os palhaços viessem a pé? Continuariam alegres,
seguiriam crianças. Isso.
Portanto, o parágrafo acima não serve.
Portanto, direto ao útil: a ladainha
do tempo canta por ciclos; os ciclotímicos correm para ir a lugar nenhum; e os ciclotímidos
valem-se do luar para a fotossíntese da melancolia que sentem quando o circo
está na cidade, quando ele está indo embora e quando nem dá as caras por anos.
O angu?
Que coisa a gente ter de conviver com
a gente mesma, sem a opção da recusa ou do mútuo entendimento. A mente faz das
suas, leva o corpo à insônia com a alvorada dos infernos. Haja notícias do
Mundão. Prefiro nem me aprofundar em Ormuz. Por favor, cabeça, dá um jeito
nisso daí. E vou andando, tento, mas está complicado. O balanço agudo ora joga
contra a parede, ora me atira contra as cordas. Cadê a joça do gongo? Nem sei
se estou vindo da popa ou indo para ela. Aliás, onde é a popa? Vixe! Os rins
têm pedras, tem pedras a vesícula, e nem tenho estômago para digerir tanta
pedrada que tomo da moringa.
Para os urubus na corrente do meu
ventre?
Água, água, água. Sim, e também peço
água.
Passo à palavra de uma das minhas
neuras que não picam a mula do picadeiro, o Isaías 45:7... E a opinião do
Maioral?
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 25 de julho de 2019.
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