Uma
piada
Leitoras e leitores, pesco onde a lei
permite. Saibam mais: o “Pi” é a
resultante da razão entre a circunferência e o diâmetro de um círculo. Não sei
o que isso significa — apenas copiei a descrição do jornal. Então, fui
pescar ao Ruy Castro.
Com mil tamoios! Logo o Pi?
Pois. Convocam-me, pelo Messenger, a mobilizar
a Ciência à resistência aos botocudos que, fulos e acelerados, passam o
compressor do rolo sobre vales, montes e cordilheiras. É plano de certa turma
provar-se certa, e sem ninguém a fazer questão de perguntas. Duvidar não ilumina,
só aumenta a escuridão.
Estou dentro. Hoje mesmo, já agorinha,
enviei este amuleto chamado Pi para todos, meus contatos. Para tirar o Galileu
das chamas? Pi. É o fetiche do momento. É preciso manter a roda girando, ou a Fortuna
não saberá a quem está destinada. Pi!
Não ficarei entre os obtusos que jogam
o Santos-Dumont do alto da Sabedoria ao associá-lo à destruição das massas
pelos artefatos nucleares. Sem bombardeio, sou anticriminoso.
Não me juntarei aos acólitos da
obscuridade que alardeiam, com desperdício de cautelas, ordenarmos em
calendário dias e noites, darmos nomes a bois e vacas, e tirarmos pela semente
a goiabeira, pois é fruto da dentada cobrir-se nas vergonhas.
Economizarei minha beleza, quero mais
na íntegra o BPC. A quem de direito os centavos, cada um deles, pois, de cabeça
erguida, hei de seguir lutando pelo lugar à mesa. Xô, migalhas!
Nem patrioteiro ou acaciano. Na justa
das narrativas, Celan.
Pela porta da frente, entro e saio. E
são tantas as fachadas, mas sem fundos. Nada vezes nada? Sigo a dizer do meu jeito,
de ibiunense oswaldiânico: a alegria é a prova dos nove.
Sobre tuítes imbecis? Não me são
anzol, sigam nadantes. A caminho do chão de terra, de asfalto, da fuligem do concreto?
Não entram na foto, erram da imprescindibilidade. O caminho? Vou por onde passo,
posso e não peço. Nem me apresso. Vou, pois ir é voltar-me para o próximo
passo, ao que dou valor, no apreço de saber-me de mim nisto, até pelos outros.
O que há? Penso, dou pontos no penso
que não me cura. Remediado? Pelas palavras, dou-me à febre, pois: visionário, o poeta é também uma visão;
através dele todos podem ver.
Assim, solidão não é levar minhas
janelas para espiar a vida ao redor e não ser visto. As janelas, que alguns
chamam olhos, dão voltas pelas vizinhanças. A trabalho, que vagamundear é
respirar. Não vão a passeio, que os olhares magoam. Fere-me o excesso do
visível, que o caos das desmesuras ceva em mim a inadequação. E cevado como um
bacalhau?
Bagre, aquele que come na lama o que a
lama rejeita.
Todavia, quem pia os seus males arrepia.
A zorra não passa de uma realidade. Contudo, quanto mais avanço, mais recuo. A Lei
é a 1079. Em... bala... me... o artigo? Pesquei... 7. É o 7!
Ô inferno! A televisão, aqui, pega
apenas este canal maldito.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 31 de março de 2019.
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