domingo, 31 de março de 2019

Uma piada


Uma piada

Leitoras e leitores, pesco onde a lei permite. Saibam mais: o “Pi” é a resultante da razão entre a circunferência e o diâmetro de um círculo. Não sei o que isso significa — apenas copiei a descrição do jornal. Então, fui pescar ao Ruy Castro.
Com mil tamoios! Logo o Pi?
Pois. Convocam-me, pelo Messenger, a mobilizar a Ciência à resistência aos botocudos que, fulos e acelerados, passam o compressor do rolo sobre vales, montes e cordilheiras. É plano de certa turma provar-se certa, e sem ninguém a fazer questão de perguntas. Duvidar não ilumina, só aumenta a escuridão.
Estou dentro. Hoje mesmo, já agorinha, enviei este amuleto chamado Pi para todos, meus contatos. Para tirar o Galileu das chamas? Pi. É o fetiche do momento. É preciso manter a roda girando, ou a Fortuna não saberá a quem está destinada. Pi!
Não ficarei entre os obtusos que jogam o Santos-Dumont do alto da Sabedoria ao associá-lo à destruição das massas pelos artefatos nucleares. Sem bombardeio, sou anticriminoso.
Não me juntarei aos acólitos da obscuridade que alardeiam, com desperdício de cautelas, ordenarmos em calendário dias e noites, darmos nomes a bois e vacas, e tirarmos pela semente a goiabeira, pois é fruto da dentada cobrir-se nas vergonhas.
Economizarei minha beleza, quero mais na íntegra o BPC. A quem de direito os centavos, cada um deles, pois, de cabeça erguida, hei de seguir lutando pelo lugar à mesa. Xô, migalhas!
Nem patrioteiro ou acaciano. Na justa das narrativas, Celan.
Pela porta da frente, entro e saio. E são tantas as fachadas, mas sem fundos. Nada vezes nada? Sigo a dizer do meu jeito, de ibiunense oswaldiânico: a alegria é a prova dos nove.
Sobre tuítes imbecis? Não me são anzol, sigam nadantes. A caminho do chão de terra, de asfalto, da fuligem do concreto? Não entram na foto, erram da imprescindibilidade. O caminho? Vou por onde passo, posso e não peço. Nem me apresso. Vou, pois ir é voltar-me para o próximo passo, ao que dou valor, no apreço de saber-me de mim nisto, até pelos outros.
O que há? Penso, dou pontos no penso que não me cura. Remediado? Pelas palavras, dou-me à febre, pois: visionário, o poeta é também uma visão; através dele todos podem ver.
Assim, solidão não é levar minhas janelas para espiar a vida ao redor e não ser visto. As janelas, que alguns chamam olhos, dão voltas pelas vizinhanças. A trabalho, que vagamundear é respirar. Não vão a passeio, que os olhares magoam. Fere-me o excesso do visível, que o caos das desmesuras ceva em mim a inadequação. E cevado como um bacalhau?
Bagre, aquele que come na lama o que a lama rejeita.
Todavia, quem pia os seus males arrepia. A zorra não passa de uma realidade. Contudo, quanto mais avanço, mais recuo. A Lei é a 1079. Em... bala... me... o artigo? Pesquei... 7. É o 7!
Ô inferno! A televisão, aqui, pega apenas este canal maldito.

Rodrigues da Silveira
Praia Grande, dia 31 de março de 2019.

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