O
bacalhau do tapete
Como as banalidades sabotam o
cotidiano?
O primeiro passo. Foco na imagem
veiculada na TV: o sofá.
O coronel Lima tentou esconder, porém os
federais fisgaram os celulares, trazendo no puçá de malha grossa o parceiro do
Temer. Se o código penal não serve de arpão, é para o quê?
Desde que a pescaria começou, há 40
anos, este grupo, do Michel, Moreira Franco, Lima e caterva, pôde jogar como bem
quis com a baleia branca de hum bilhão e oitocentos milhões de arrobas. Fora os
quilates ainda não aferidos.
Deve ser por que usando onda miúda
peguei tsunami.
Oxe! Com meu apego a mentirinhas
imperceptíveis, feito os pescadores que aumentam aqui e ali, mas que o fazem
para ir apimentando o sushi, vai daí
que abusei da raiz forte. Eca.
O Brasil está virado num tapete imenso,
continental, pois fui tramando voto a voto, a cada eleição. Se me foi preciso? Foi,
é que busquei dar um jeito na sujeirama. Já a fedentina...
Truta!
Sempre achei que era um problema de
glândulas ou falta de banho de sais e ervas. Nenhum nem outro. É mesmo cheiro
de vômito, por golfadas recentes e seguidas. Fon! Fon!
Longe do Magalhães em matéria de
circum-navegação, fico estupefato por rodopiar enjoado sem mar nenhum. Que bater
o pé no coreto da praça causa ânsias. É isso.
Haja praças por aí afora. Lá em
Brasília; no Fla-Flu de todas as latitudes; no caís santista, se vem do mundo, vem
também.
O balanço de terramarear enjoa e
mantém patente a fetidez na alma. Calma? Quem fecha os olhos e tapa o nariz é
calmo.
O próximo passo. Atenção ao que se
quer dizer: a urna.
Não se trata de botar fogo no tapete,
mas de lavá-lo. Sem a farsa dos incomodados pela poeira que a limpeza levanta.
Só que é preciso limpar a casa, toda. Arrumar os móveis, lavar a roupa
impregnada de corrupção, servir feijão a quem tem fome, e com poemas, encantar o
coração. Dar sonhos às mãos.
Sozinho ninguém dá conta, é muito
trabalho. Sem vizinhas e vizinhos, fica difícil o baile. A gente precisa
urgente. Já se ouve o alarido da festança. Está vindo a eleição. Não é para depois
do carnaval, é durante. Não é para quando a Páscoa der ovos, é pela
ressurreição. Não é para trocar os presentes do Natal, é pela hora. Porque a hora
é agora. E do modo que for, preciso e necessário. Dentro da lei, mudando as leis.
Até tornar o Brasil a casa a nos abrigar, domiciliar e aprazer ─ a todas e
todos.
Voto é escolha. Escolher é ato
individual. Se escolho certo, beleza; se errado, é o caso de pensar. Repensar, para:
abrir-se à claridade da janela aberta; arejar-se; e, à luz do sol, vital para plantas
e animais, dispensar-se das trevas de quem insiste em forçar goela abaixo que
as 51.589 pessoas assassinadas em 2018 mereceram, ou estariam vivas. Quer
confundir, Brasil?
A ALERJ recolher autógrafos em Bangu 8
é bom para atrair câmeras para quem faz pose ao escarrar no tapete, Teresinha.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 24 de março de 2019.
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