domingo, 24 de março de 2019

O bacalhau do tapete


O bacalhau do tapete

Como as banalidades sabotam o cotidiano?
O primeiro passo. Foco na imagem veiculada na TV: o sofá.
O coronel Lima tentou esconder, porém os federais fisgaram os celulares, trazendo no puçá de malha grossa o parceiro do Temer. Se o código penal não serve de arpão, é para o quê?
Desde que a pescaria começou, há 40 anos, este grupo, do Michel, Moreira Franco, Lima e caterva, pôde jogar como bem quis com a baleia branca de hum bilhão e oitocentos milhões de arrobas. Fora os quilates ainda não aferidos.
Deve ser por que usando onda miúda peguei tsunami.
Oxe! Com meu apego a mentirinhas imperceptíveis, feito os pescadores que aumentam aqui e ali, mas que o fazem para ir apimentando o sushi, vai daí que abusei da raiz forte. Eca.
O Brasil está virado num tapete imenso, continental, pois fui tramando voto a voto, a cada eleição. Se me foi preciso? Foi, é que busquei dar um jeito na sujeirama. Já a fedentina...
Truta!
Sempre achei que era um problema de glândulas ou falta de banho de sais e ervas. Nenhum nem outro. É mesmo cheiro de vômito, por golfadas recentes e seguidas. Fon! Fon!
Longe do Magalhães em matéria de circum-navegação, fico estupefato por rodopiar enjoado sem mar nenhum. Que bater o pé no coreto da praça causa ânsias. É isso.
Haja praças por aí afora. Lá em Brasília; no Fla-Flu de todas as latitudes; no caís santista, se vem do mundo, vem também.
O balanço de terramarear enjoa e mantém patente a fetidez na alma. Calma? Quem fecha os olhos e tapa o nariz é calmo.
O próximo passo. Atenção ao que se quer dizer: a urna.
Não se trata de botar fogo no tapete, mas de lavá-lo. Sem a farsa dos incomodados pela poeira que a limpeza levanta. Só que é preciso limpar a casa, toda. Arrumar os móveis, lavar a roupa impregnada de corrupção, servir feijão a quem tem fome, e com poemas, encantar o coração. Dar sonhos às mãos.
Sozinho ninguém dá conta, é muito trabalho. Sem vizinhas e vizinhos, fica difícil o baile. A gente precisa urgente. Já se ouve o alarido da festança. Está vindo a eleição. Não é para depois do carnaval, é durante. Não é para quando a Páscoa der ovos, é pela ressurreição. Não é para trocar os presentes do Natal, é pela hora. Porque a hora é agora. E do modo que for, preciso e necessário. Dentro da lei, mudando as leis. Até tornar o Brasil a casa a nos abrigar, domiciliar e aprazer ─ a todas e todos.
Voto é escolha. Escolher é ato individual. Se escolho certo, beleza; se errado, é o caso de pensar. Repensar, para: abrir-se à claridade da janela aberta; arejar-se; e, à luz do sol, vital para plantas e animais, dispensar-se das trevas de quem insiste em forçar goela abaixo que as 51.589 pessoas assassinadas em 2018 mereceram, ou estariam vivas. Quer confundir, Brasil?
A ALERJ recolher autógrafos em Bangu 8 é bom para atrair câmeras para quem faz pose ao escarrar no tapete, Teresinha.

Rodrigues da Silveira
Praia Grande, dia 24 de março de 2019.

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