terça-feira, 19 de setembro de 2017

a plenitude do amor

amor ao próximo, sim.

amar as crianças abençoadas
pelos anéis, porque eles ungem
ao joio o trigo, na serenidade
dourada, dos que se dão às bênçãos.

amar as meninas apadrinhadas
pelos dedos, a se desdobrarem
para tornar simples, e naturalmente,
a procedência, sob as mãos impostas.

amar as mães que amam em demasia,
à beira da virgindade, por demasiadamente em branco,
marcadas pelo sisal, grito trançado
acima do chão, no extremo.

amar, e amar todas as causas,
amá-lo, ao amor, como um sim.

amar o irmão, quando apegado às digitais
do amor, incrustá-lo, à unha,
nas caras sem cicatrizes.

amar o irmão, amá-lo, ele fala pelo outro
o que nem se diz às mães, em suas noites não dormidas.

amar e amar sob todas as leis,
amá-lo, ao amor, como um sim, absoluto.

amar o chão, os reis prosperam especiarias,
amar suas cãs, juízes a afagarem o incipiente,
todos por demais sapientes, amá-los,
em sua sabedoria, o higienizado.

amar as águas, das piscinas elas estão vindo,
para o batismo com os pecados, amá-las,
provindas desses córregos, e vívidas, tão amáveis.

amar os peixes, nadantes nessas águas,
amá-los, não exalam micoses,
não tumultuam as algas, amá-los,
como se ama a um baiacu, ao bagre, a tilápias,
amá-los, eles não fedem nem ao cloro.

amar o amor exigente, pela cerviz dobrada,
na conveniência e na obediência, próprias a esse amor.

amar a quem não possa amar
nem saiba corresponder ao amor,
amar a quem não pergunta, a quem não é amado.

amar e, assim, amar cegamente, amar com todos os critérios,
amar o amor, amá-lo como um sim, indubitavelmente.

amar e, então, ter pelo amor a paixão desmedida,
um amor sem crise, cordato,
amá-lo, no juízo de suas virtudes,
as não pronunciadas, elencadas, sequer sabidas.

amar e dar ao amor as verdades,
como o sim, inteiramente.

amar o próximo do amor, o íntimo, e intimidante,
amar quem se aproxima com nojo, pelo reconhecimento,
por não ser peixe nem alga na corrente, amá-lo e melhor.

amar e que o amor seja sempre por nós,
pobres de nós que amamos.



(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)

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