sexta-feira, 1 de setembro de 2017

olhos de mar

nascido nas borrascas, o menino
maquina seus velames, pés conjurados
a andar sobre a língua, domando-a
às tormentas.

perdido das rimas, sangue pronunciado,
sua língua atravessa a nado
o espanto, o mordido.

trazido à escrita do sol:
lanterna ancorada, ilegível,
se as letras adoram o aroma de alguma dor.

os coqueiros da enseada:
por que ainda sonha, menino?



(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)

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