domingo, 17 de setembro de 2017

ouro fundido

disseram o homem único, enigma único,
à medida de si pela hora da morte.

provaram o amor, leram suas folhas,
e assim o amor lê a alma por linhas mortas.

provocaram a morte, o absurdo do escândalo,
e o peixe morre por saber que peixinho é.

disseram a fera vê a cara pelo coração,
e como dizem besteira.

desejaram impossíveis, o unicórnio de ouro,
e chegaram perto do osso do gigante bom pastor.

confirmaram as culpas, são uns irresponsáveis,
e sempre esquecem nossos esqueletos atrás da cortina.



(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)

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