laboratório do cão
ninguém
lembra
ninguém
quer lembrar-se
o
chão da noite na gaiola do rato
as
migalhas a urina o cheiro o nojo
ninguém
quer ser lembrado
ninguém
está ali ninguém quer estar ali
nem
mesmo o rato nem mesmo ele com o seu hálito de rato
ninguém
quer ficar perto
ninguém
fica perto o bastante
pra
azeitar as manivelas da engrenagem
pra
afinar os ventos da aceleração
por
isso o ar toma as formas da gaiola
toma
a manhã, obscurecida
o
rato devorado pela poeira do cosmos
o
rato não permaneceu
permanece
a gaiola
(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)
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