segunda-feira, 4 de setembro de 2017

ossário da recomposição

eis os caninos patéticos
que alham as pontas de agulha,
que crucifixam os seios bronzeados,
que energizam a prata dos lábios,
por uma inocência atroz.

eis a neblina no alto da colina,
eis as harpias do crepúsculo,
e não faltam aos peregrinos
o sangue sem crédito.

com ar de palavra desesperada,
absumida nas irreflexões,
emergida no sem-fim da pintura,
a coruja da noite não pousa
no corte certo,
desmontando a trama toda.



(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)

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