quarta-feira, 6 de setembro de 2017

outra foto

trem danado de gente
gira contra o relógio a orgia da noite no dia

vê-se a avenida pelos extremos
aqui o sal enobrece os mendigos
lá o palco vulgariza as pulgas
vê-se a avenida
começa nas quimeras da química

vê-se a avenida pelas pontas
lá a boca embitucada no apagado
aqui a embocadura encenada do aceso
vê-se a avenida
termina nos terminais dos neurônios

vê-se a avenida
esse trem danado na gente



(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)

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