sábado, 2 de setembro de 2017

razão noturna

as mãos temperando
o que sente, sabe-se
pelos dedos, pão abocanhado.

algumas migalhas, algemas
do salário, sabe-se a suor
do sovado, da farinha nos ovos.

pelas mãos, sabe-se
no sentido, esboça-o agonfo,
quando as mãos têm fome
e o estômago, sono.

por mais que se esforce,
na dispensa da noite,
não come os próprios dedos
nem dorme.



(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)

Nenhum comentário:

Postar um comentário