terça-feira, 12 de setembro de 2017

ponto futuro

em pleno jogo,
ocupa-se o homem, faz planos,
são tantas as preocupações, trabalha tanto:
custam-lhe domingos as caipirinhas de vodca
e a janelinha do feriado.

na estrada, falta o azul,
sobram urubus, e histerias, tortura-o
escalar a areia, a mais assanhada,
tortuosamente as ossadas pegam-no
pela baba, no ronco:
beijada pela água-viva, a felicidade
põe na carne uma atrocidade,
quimiotaxicamente abissal.

a bola do gol contra queima fundo,
e, regurgitado, o regresso ao desterro
tira os pontos do copo, expulsa a sunga,
impõe a derrota em casa: a chuva amarela,
na tentativa de resgatar-se pelo fígado.



(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)

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