ponto futuro
em
pleno jogo,
ocupa-se
o homem, faz planos,
são
tantas as preocupações, trabalha tanto:
custam-lhe
domingos as caipirinhas de vodca
e
a janelinha do feriado.
na
estrada, falta o azul,
sobram
urubus, e histerias, tortura-o
escalar
a areia, a mais assanhada,
tortuosamente
as ossadas pegam-no
pela
baba, no ronco:
beijada
pela água-viva, a felicidade
põe
na carne uma atrocidade,
quimiotaxicamente
abissal.
a
bola do gol contra queima fundo,
e,
regurgitado, o regresso ao desterro
tira
os pontos do copo, expulsa a sunga,
impõe
a derrota em casa: a chuva amarela,
na
tentativa de resgatar-se pelo fígado.
(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)
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