Pelo apoio ao acordo entre Mercosul e
Comunidade Europeia...
Pela língua de trapo quanto às
dosimetrias...
Pela espantosa disputa de pênaltis entre
Flamengo e PSG...
Por isso, pegando o touro à unha: fixo,
estou tocado pelas angústias do nosso tempo.
Digo mais. Quiçá eu possa esclarecer: como
já já será janeiro, deixo evidente o rastro do nosso interesse.
Pois, o que diz o vulgo?
ꟷ Tudo a seu tempo.
Pois, o que diz a Vulgata?
ꟷ Quod fuit, ipsum est, quod futurum est;
quod factum est, ipsum est, quod faciendum est: nihil sub sole novum.
Em legítimo português castiço,
entretanto, diz o Pregador:
ꟷ O que foi, isso é o que há de ser; e o
que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.
Para não passar a vergonha de ser
ridicularizado por haver-me bem em minha infantilidade, dirijo-me a você,
pessoa que ainda lê, sabendo que a barafunda aturde, indago-lhe:
ꟷ O que o tempo silencia?
Então, 18 de dezembro, você diz o que o
resguarda.
Diz a Wikipédia que, em 218 a.C., na
Segunda Guerra Púnica, em Trébia, Aníbal deu a vitória a Cartago.
Excluindo-se os inapetentes pra parar de
andar com os caninos de fora, minha cachola nem tem ficha que houvera uma
Primeira...
Diz mais a mesmíssima fonte: pela
vitória dos revolucionários sobre o exército britânico, em Saratoga, em 1777, na
América do Norte deu-se a primeira celebração do Dia de Ação de Graças.
Diz ainda a Wikipédia, a ela que não nos
pouparemos de chamá-la velha de guerra, diz-nos que no dia 18 de dezembro de
2005, no Japão, em Yokohama, diante de 66.821 pessoas, com o tento de Mineiro
aos vinte e sete minutos da primeira etapa, o amado clube brasileiro, o São
Paulo Futebol Clube venceu o Liverpool, sagrando-nos tricampeões do mundo.
Pelos fatos assinalados, ser de
memoráveis simpatias, faça o favor, Noel, tome siso do que pode embasbacar,
justamente pelo solipsismo, ao nos engambolar.
Quando se der ao trabalho de
desembrulhar-se numa resposta bem ponderada, pergunte o que traz à tona o que
nos move. Isso que a nós torna a noite mais longa que as doze horas que
aparentemente deviam perdurar. Então, a nós o senhor nos atenda:
ꟷ Qual será o presente que estamos a
cobrar-lhe?
Para evitar que nos atirem ao abismo,
como se fôssemos incapazes de amar quem nos esculhamba e encurrala, assumimos a
empreitada de desentranhar o que ecoe sem que o glorifique à toa, Pai:
ꟷ Uma vez que alvíssaras sempre anunciam
o que muito se espera, o Morumbis trema pela vinda do tetra, em 2027.
Por assim, maliciosamente tão lesto?
Pela razão de haver desconcerto entre
Mercosul e Conselho da UE, pelo riso diante dos pênaltis batidos lá no Catar, pelo
baixar do sarrafo quanto à anistia, tratada feito reduçãozinha de pena; ao
exercitar meu direito de escancarar o meu na reta, digo o que espero dizer
quando já vem o que me aguarda mais à frente:
ꟷ O moral do palhaço cresce a cara na torta.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 18 de dezembro de 2025.