o louco da vez
despido dessa
gramática do meio-dia,
duma lógica
vernacular, lapidar, exemplar.
o que deu nesse
homem?
um emérito
comedor de rabanetes,
levados consigo
num vasinho pintado a dedo.
o que houve?
dizem que o
vento da lua cheia
bateu nos tímpanos,
cantou
a nidificar,
multiplicar ideias nadificantes.
dizem, ai
pobre-diabo, como dizem.
no cão posto
como sombra de si,
rodopiante,
circunvirante, buscador,
tendo a cauda já
evoluída, só um ossinho.
iluminado de
pinga;
então o bom
homem rola no chão,
dissipado pra
luares, borboletas, louros,
pros olhares
quatrocentões.
ei! nada de
chamar o nosso homem
de cínico, cão
das ruas.
embora passe a
fingir-se de torto,
capaz de
mãozadas nas vitrines recatadas,
até a querer-se
um incendiário gago,
da pedra na
pedra, bem poderia o tosco, até...
o homem bom, espelho
dos naturais desenterrado,
é arbusto seco,
é lama seca, rio evaporado.
aquando
o lugar do
instante dá um instante ao lugar,
é em razão das
palavras enraizadas
na névoa
cristalina além da íris, do opaco do leite;
adonde
ele acorda e
desanda a andar em voz alta,
célere a
dormitar o silêncio no cérebro.
será pela graça
de haver-se dessa laia, um chalaça.
(rodrigues da silveira, 2015)