as labaredas da alma
como ninguém entende o que diz o rato,
trazem a ratoeira com o seu melhor queijo,
armam com cuidado, bastante esperançosos.
como ninguém atende o que bate à porta,
fazem uma fogueira com o seu melhor graveto,
amam com recato, assaz temerosos.
como ninguém apreende o que falta no rosto,
rezam em uníssono com a sua melhor intenção,
falam com vigor, muito entusiasmados.
como ninguém compreende o que brilha lá fora,
rogam pela morte com a sua melhor ilusão,
calam com rigor, ensimesmados bastantes.
a formiga ignora o açúcar do poema, ignora
também a celulose, a brancura, a superfície, e
segue
no seu papel de formiga,
e na sua natureza, a que pouco sabe de si,
isso basta. e isso, minha gente, isso não basta.
(rodrigues da silveira, 2017)
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