olhos de mar
nascido
nas borrascas, o menino
maquina
seus velames, pés conjurados
a
andar sobre a língua, domando-a
às
tormentas.
perdido
das rimas, sangue pronunciado,
sua
língua atravessa a nado
o
espanto, o mordido.
trazido
à escrita do sol:
lanterna
ancorada, ilegível,
se
as letras adoram o aroma de alguma dor.
os
coqueiros da enseada:
por
que ainda sonha, menino?
(rodrigues da silveira. in: o desenho do enigma, 2017)

