lá vem aquele poeta
alguém poderia vê-lo um palhaço triste
alguém teria a impressão
como palhaço triste
sua tristeza porque resiste
sua resistência no carinho das crianças
principalmente das crianças
palhaço que resiste
sua resistência ao riso do intolerável
o riso rinoceronte do intolerante
e alguém o removeria com a maquiagem
indo além da tristeza
indo com esse palhaço desesperado
desesperadamente triste
triste palhaço desesperado
seu desespero de porcelana chinesa
não se pode bulir
nem se pode a cosquinha da unha
a finura o bonito do dragão
o inefável o frágil
sua beleza de gente grande no mundo de
criança
e ele querendo aventura
querendo encantamentos de dragão
assim de passagem
sem saber desse passado
aquele poeta vai lá
(Rodrigues da Silveira. In: MUDO,
2014)
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