domingo, 26 de março de 2017


o extra do ordinário

lá vem aquele poeta

alguém poderia vê-lo um palhaço triste
alguém teria a impressão

como palhaço triste
sua tristeza porque resiste

sua resistência no carinho das crianças
principalmente das crianças

palhaço que resiste
sua resistência ao riso do intolerável
o riso rinoceronte do intolerante

e alguém o removeria com a maquiagem
indo além da tristeza
indo com esse palhaço desesperado

desesperadamente triste

triste palhaço desesperado
seu desespero de porcelana chinesa
não se pode bulir
nem se pode a cosquinha da unha
a finura o bonito do dragão
o inefável o frágil
sua beleza de gente grande no mundo de criança
e ele querendo aventura
querendo encantamentos de dragão

assim de passagem
sem saber desse passado

aquele poeta vai lá


(Rodrigues da Silveira. In: MUDO, 2014)


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