último poema
contraditório por costume
o poeta meio que atravessa o poema
imanando espelhos quando fala
afinado ao dissonante que o diz
assuntado no verbo
dá um peteleco numa rima
e vai sentar-se numa ideia
desequilibrado como um palhaço
desfia o seu tecido decorado
desfila sua fantasia
a do homembomdebemcomavida
sem o riso do divertido
como se as piscadelas de sua arte
nem pedissem a cumplicidade do aplauso
nem resistissem direito ao aparte
de um desgosto enxerido
perplexificação:
travestida nessa reflexão
a gente tira a corda do pescoço
(Rodrigues da Silveira. In: MUDO,
2014)
Nenhum comentário:
Postar um comentário