segunda-feira, 13 de março de 2017



último poema


contraditório por costume
o poeta meio que atravessa o poema
imanando espelhos quando fala
afinado ao dissonante que o diz

assuntado no verbo
dá um peteleco numa rima
e vai sentar-se numa ideia

desequilibrado como um palhaço
desfia o seu tecido decorado
desfila sua fantasia
a do homembomdebemcomavida

sem o riso do divertido
como se as piscadelas de sua arte
nem pedissem a cumplicidade do aplauso
nem resistissem direito ao aparte
de um desgosto enxerido

perplexificação:
travestida nessa reflexão
a gente tira a corda do pescoço


(Rodrigues da Silveira. In: MUDO, 2014)


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