quarta-feira, 15 de março de 2017


indomabilidade

amestre-se, melhor amigo do homem.
abane o rabo. finja-se de morto a transbordar
humanidades. role no chão, tão impulsivo.
a feracidade do pensamento? que tormento!
pela disponibilidade do efusivo,
adestre-se, exemplo de fidelidade.
deixe-se ensinar à felicidade
das crianças, mas aprenda a largar
o osso, não queira escondê-lo.
e não se esqueça: se mostrar
as garras, dá-lhe focinheira!
que isso de espumar de raiva é besteira.
se sentar bonitinho, que gracinha!
e se ficar de guarda? e se der a patinha?
ô espantalho do sensato,
nem precisa tanto espalhafato,
o nove é mesmo pra falar com a atendente!

dizem que sou grossa... ora, gente,
grossa é a lã do novelo...
aliás, cadê o meu novelo?



(Rodrigues da Silveira. In: MUDO, 2014)

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