terça-feira, 14 de março de 2017


temor

tremem os dedos
confundem-se os olhos
falha a língua

e há tanto a dizer
dá um branco
faltam as palavras
confunde-se no todo

e há tempos quer dizer
mas ébrio do mar
como um barco a naufragar
bem que o tenta dizer

poeta ao mar
treme nem consegue falar
gagueja trava fica na mesma

burro a zurrar pelo olhar


(Rodrigues da Silveira. In: MUDO, 2014)


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