segunda-feira, 20 de março de 2017



melindrado

não sou de esperar pelas respostas represadas
ou caminhar meus ossos sobre as formigas
faço festa sozinho

e sei o fogo sinto o cheiro vejo a chama
faço farra com quem queira

crianças sozinhas não perturbam

amigo
não sou de responder a chamados noturnos
ou morrer de medo normalmente

respiração ofegante não desmata a minha mente

o afogado temente à água?
o tremido na mágica de um afago?
nada!

olho penso digo

mamã, há holandas debaixo d’água!



(Rodrigues da Silveira. In: MUDO, 2014)

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