Prática
de inspiração
Haja vista o momento presente, inspirado
autodidata que não alega insanidade quando a realidade obra por mim que eu me
paute por uma postura racional mesmo em ambientes e situações em que a emoção
sobrepuje a coerência, acho conveniente que refaça os passos que me trouxeram à
esquina onde eu me acho.
Todavia acho muita coisa, de tal maneira
descabida que pareço lelé da cuca, por cuja fleuma desatino-me de uma coisa em outra.
E não acho, tenho certeza. Assim que me
vir, ela me cumprimentará porque nos conhecemos. Contudo, ela passa por mim que
nem me vê feito poste fincado no meio do passeio.
Nada sendo dito, bendito seja que dito a
mim que eu medite.
Sujeito à verificação aleatória, entendo
que os acontecimentos que não se comprovam fatos tornam difícil a digestão da
realidade, porque a reconstituição da consciência passa pelo autoconhecimento.
Sem interferências alheias, alheio-me.
Há luz, logo me declaro: eu penso.
E a moça que passa sabe que soltar pipa no
quintal é atividade bem pouco lúdica quando comparada a soltar pipa em terreno
baldio.
Além dos muros, a fiação aérea é séria
ameaça. Causa desastre o soltador de pipa que se ocupa apenas em dar linha. Sua
pipa cabeceia, perde altura, caindo até ficar enroscada. Pronto! Tal brinquedo
é butim a piratas urbanos que ululam de vacilo em vacilo.
Como o Sol bate nas andorinhas, não
oscilo na esquina.
Os seres humanos sabem que o Sol é fonte
natural de energia, que sua energia é renovável, embora deitássemos com as
galinhas.
Chateados por deitar cedo, arranjamos
energia elétrica para emular a luminosidade solar, incandescemos filamentos nos
bulbos de cristal que afixamos no teto das nossas casas.
Pela forçada adaptação humana à
crescente redução do sono, são as lâmpadas tecnicamente as culpadas. Eram doze
as horas dormidas na escuridão do horizonte, passaram a oito com a penumbra de abajur,
até nos restarem as seis intermitentes horas de insones pestanas.
Se pessoas conhecem a fome que as
acometem em jantares, ceias e baladas, é que vale a pena pagar pela luz solar
sem sol ou elas teriam de pegar no sono com as assustadoras histórias de
gambás, raposas e gerentes de granja.
Cloaca de vida! Toda galinha sabe onde
os juros arrocham, porque gerentes de granja enchem a poupança por papar milhares
e milhares de dúzias de ovos.
A realidade é algo chocante?
Choque maior tenho eu com a galinha que
passa de ônibus, porque nunca pensara que tal bicho topasse ser transportado
entre nós outros que lhe somos predadores.
Se bem que tem motorista tartaruga que
não freia bruscamente, ele obviamente pensa na coitada da galinha, cuja
angústia de presumir-se esborrachada no para-brisa é um pulo pro panduio dos
esfomeados.
Escrupulosos consumidores militantes, todos
à luta:
ꟷ Chega de gracinha! Passe livre pras
galinhas!
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 07 de fevereiro de 2023.
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