terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Ideia genial

 

Ideia genial

 

Já é Natal!

Nesta época do ano amigos e familiares chegam sorrindo, sedentos de gestos afetuosos; de minha parte, a recíproca é verdadeira, anseio por beijos e abraços.

Algo me faz tomar a iniciativa e, ainda que muitos fiquem surpresos com essa persona menos cínica, hipócrita e zombeteira, tomo-a com o espírito feliz de criança pondo bolinhas na árvore.

Sem acrescentar à lista do Papai Noel outro item tão imprescindível que ia me esquecendo, tenho beijos e abraços pra todo mundo.

Distribuo-os como quem desce pela chaminé, pois acho que todos têm uma alma gentil, que precisa ser despertada do ramerrão do dia a dia para que a pessoa também distribua afetos com a generosidade de quem poderia ter dado, primeiro, aquele abraço tão sincero.

Por gentileza, não me censurem por minha sinceridade.

Que argentinos e franceses sintam-se abraçados por mim, que sou um camarada que chuta o ar, chama o VAR e bebe refri com a garganta arranhada de tanto xingar sua excelência, a mãe do juiz.

Valendo taça? 3 a 3 numa final, putisgrila!

Dezembro poderia continuar sendo o período em que a gente faz o balanço do que deixou de fazer, lamenta ter feito o que fez sem dar o melhor, compromete-se a agir com mais empenho, tudo pra que o Ano Novo traga energias transformadoras, que hão de deixar novo em folha quem sequer vai a pé ao bar da esquina. Até poderia, mas o final deste 2022 está sendo diferente.

Uma vez que me fizeram torcer pelos dois, porque disputaram quem sorriria por último, agradecido pela contribuição para que a final virasse o jogaço que, por hoje e sempre, recordo, felicito-os e desejo-lhes boas festas, caríssimos Mbappé e Messi.

É tri! É tri tri tri! É tri!

Luisinho, como não sou uma pessoa de fidelidades imutáveis como você, só vou me preocupar com as contas de janeiro quando o primeiro boleto chegar ꟷ que ele chegue, de preferência, em janeiro.

Se suas angústias são com a beleza, tudo bem, faça essa tatuagem na batata da canhota: o Messi levantando o Maradona levantando Pelé dando aquele soco no ar; vai por mim, meu camarada, essa tatoo ficará ótima em você, realmente uma pintura.

Que maravilha que existam esses fominhas no mundo, porque eles têm brilho no olhar. Quando ouvem “campeão”, pensam no prêmio, na medalha, nas fotos, nos memes, no dim-dim na conta, estão tão certos disso que dos seus olhos rolam lágrimas verdadeiramente tocantes.

De fato, acho comovente a ideia de que esporte, qualquer esporte, possa transformar a vida da gente.

Independentemente de ter de pintar o meu cabelo depois de vitórias históricas, valorizo a autoridade de merecer a glória dos louros.

Como vencedor que sabe quanto custam as batalhas vencidas, me comprometo a tingi-los. Nem que gaste muito, comprarei uma peruca de fios autênticos. Nem ligo se despertarei inveja com minha cabeleira descolorida.

 

Rodrigues da Silveira

Ibiúna, dia 20 de dezembro de 2022.


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