O menino mau que dizia inverdades como
se soubesse muito bem que soltava boatos que poderiam conspurcar o lídimo nome
da família, mas, por haver maldade, o menino acusava de marcar lataria de carro
o eterno bobão, que, em momento e lugar errados, sempre há de tomar pra si o mérito
de avacalhações legitimamente degradantes.
Como o cronista não é menino mau que
repassa o ônus a quaisquer incautos que, em momento e lugar apropriados, nem
percebem o quanto sentimentos podem ser manipulados, esfrego a lâmpada.
Alladin, lustro-a com cuspe até que fique
antipático bandear-se para o bando dos quarenta golpistas a saquear a caserna de
Sésamo.
Gênio, não se atirem os melhores desejos
pelas entrelinhas, porque nunca faltará quem conte e reconte as trinta moedas,
beije o ombro de Pedro e, por último mas não de somenos importância, mande um
salve à galera que sabe, como ninguém, o quanto viver é cabuloso.
A chave do tolo, meu bom José, é a história
sendo remontada: com is subtraídos aos pingos, merluza salgada como bacalhau e
convites pra festa quando há a obrigação de sentenciá-la transitada.
Embora o escriba escolha o deboche com
uma pitada de fel, Alladin, Gênio e bom José, vocês não fujam da trama em
tapete mágico.
Em 1969, meses antes de completar seis
anos, ao guri deste causo veio aquele momento em que o banheiro se revelou o
lugar certo para suas necessidades; sentado no vaso, ele urinou e defecou.
No ano em que o homem pisou na Lua, como
ao garoto deste causo faltou papel depois de excretados os seus excrementos,
ele foi pedir à professora que o ajudasse a se limpar.
No ano em que João Saldanha era o
técnico da seleção, o canário deste causo achou de cantar com as calças
arriadas, assim, provando que uma bunda de fora é impactante, seus colegas
riram.
Como agente hilariante, este
escrevinhador escolhe enveredar pelo riso, pois chorar faz a pessoa ficar cabisbaixa,
além de seduzi-la a ficar deprê, até porque, por desfaçatez, isso é vendido
como coisa de gente com neurônios empoderados, um bônus da modernidade.
Uma vez que este escriba detém o direito
de usar o poder como lhe apraz, já que ainda acha graça naquele riso de 1969,
este provinciano opta pela conveniência de não tomar cré por lé.
Quero crer que o auge de uma festa de
aniversário seja o instante de fazer um pedido. Convicto de que o pedido será
atendido desde que nenhuma velinha reste acesa, sopra-se de uma vez. Sabendo
que falar atrapalha que aconteça, o aniversariante precisa calar-se sobre o que
tenha desejado.
Como este narrador não sopra velinhas,
resolvo temer o inferno.
E temo que as labaredas do fogo eterno
lambam o lombo de gente que nem percebe o calor que suplica que vá arder na
carcaça da gente que odeia e quer ver morta.
Todavia, é por arvorar-se armada perante
o inimigo que a palavra vomitada volta pela goela.
Rodrigues
da Silveira
Ibiúna, dia 17 de abril de 2025.