Roda-viva
Mudar,
mudamos. Contudo, não vamos direto, e retos, à felicidade que imaginamos ali na
frente. Mesmo porque nem sabemos que cara tem o bicho que está a postos tão
logo dobramos a esquina. E a coisa fica lá, só de olho em quem vem distraído,
ocupado em rever a piada pela milésima vez.
Isso dá
o que pensar.
Com que
direito a pessoa vê uma postagem pela milésima vez? Ora, ela faz o que quer e
ninguém tem nada com isso.
Hum.
Concordo que ela possa fazer o que bem quiser, mas há problemas em generalizar
assim. Uma vez que somente aja desde que o que faça não prejudique, por
atos e palavras, outras pessoas, levando-se em conta tal restrição, tudo certo, divirta-se e toque a vida em frente.
Para
mais bem reforçar o meu ponto, dou um exemplo.
Quase
agora, indo à farmácia, passo por um sujeito que tem vivido na rua. Eis que o
homem está cantando desafinado, todo feliz, mas ontem, mais ou menos no mesmo
horário de hoje, com um papelão amassado que nem um porrete, ele bradava
palavrões enquanto batia num lambe-lambe com uma imagem bem conhecida.
O que
quero dizer com isso?
Digo
que mudamos e nem percebemos, pois a vida vai nos levando por aí e vamos indo
sem dar conta que não é o mundo que faz escolhas por nós. Nós é que escolhemos;
entramos ou recuamos quando as portas se abrem.
Pela
milionésima vez, a pessoa está rindo do meme? Não é a mesma coisa a cada vez
que ela vê.
Considere-se
no exemplo, leitora e leitor.
Você está
no ônibus, voltando para casa depois de ter trabalhado mais um dia naquele
ambiente de intrigas, tendo de conviver com uma gente que espalha mentiras
pelas costas porque ambiciona o seu lugar na empresa, daí que a pequena cena
que se repete permite-lhe rir, mesmo achando aquilo uma bobagem.
Porém, siga
comigo pela ideia, digamos que acabe de abrir os olhos e, depois de espreguiçar
e bocejar gostoso, dá de cara com a mesmíssima piada no celular, sabendo que é
dia de ir desfrutar de um churrasco com amigas queridas e amigos queridos, você
não acha um máximo a besteirinha mas ri assim mesmo.
Entre o
alívio da primeira situação e a curtição da segunda, que diferença gritante.
Você é a mesma pessoa, não deixou de ser quem é, só que em condições
diferentes. No entanto, não foram apenas as circunstâncias que mudaram, você
também está em outro astral, com a mente e os sentidos em sintonia diversa em
cada uma das situações do exemplo.
Ah!
Quase passa batido...
O tal
gif que pode fazer chorar de tanto rir é uma montagem com um desses governantes
queimando uma revista.
De
fato, os autoritários dão razão a chacotas, zoações e quetais. Todavia, que história
foi essa de deixá-los entrar na sala? Pelo jeito, vamos ter de trocar a
plaquinha na porta, de SALÃO DE FESTAS para QUARTO DO PÂNICO.
E no
jogo da vida, você prefere ficar no lugar do porteiro ou do pedreiro que
levanta o vão da porta?
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 11 de setembro de
2019.
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