terça-feira, 4 de junho de 2019

Dádivas


Dádivas

Com renovado alento, volto das férias dadas às leitoras que nem me sabiam pescando em Ibiúna e aos leitores que vão se benzendo diante de foto minha cortando a carteira do cigarro, já que estive curtindo o saudável que ainda é possível na terra onde aprendi a ganhar no tiro os maços pestilentos. Contudo, o importante nisso é que vocês me acompanham pelas crônicas que publico às terças e quintas e todo domingo. Retorno: grato, pelo desprendimento dos instintos; revigorado, para a realidade dos meus comprometimentos. Se bem...
Em razão da índole assaz idiossincrática que me põe severo com as vicissitudes do meu tempo e as topografias das minhas platitudes, ou numa mistura disso, é que me antevejo como o construtor sujeito a limitações cognitivas e sentidos anelantes do humor a redundar em uma história de vida complicada. Este meu temperamento... como é dado a me atazanar.
Cabeça, não se manifesta o toró no tanto que venta?
Tendo o silêncio como cúmplice, emendo a entabular com o espelho o que aceito inscrito na sua face. Brotem, alegrias!
Em defesa de bichos, plantas, minérios e máquinas, ou seja, faz bem a todo mundo o que as autoridades da cidade chinesa de Shenzhen estão fazendo. Na coluna do Ronaldo Lemos na Folha de São Paulo desta segunda-feira, leio: a frota de 15.500 ônibus é 100% elétrica; a carga total da bateria, que permite rodar 300 quilômetros, sai por R$ 120,00; o carregamento pode ser feito em tomada comum; com preços menores, a pessoa é incentivada a dar carga fora do pico de consumo; e a frota toda de táxis também já é elétrica.
O planeta inteiro está atento... Vou aprendendo.
Sem ignorar que, no Brasil, o ministro do Meio Ambiente fica jogando sal grosso na picanha alheia, noruegueses e alemães estão de olho no espeto que enviam para que a Amazônia siga dando frutos a quem come e bebe sem empestear a casa toda.
Nem ovos nem tomates podres dão jeito...
Nem se fale de ficar protestando como sempre. Não porque um parceiro de ministério possa providenciar um guarda-chuva, é porque a civilização está pedindo a eletricidade de neurônios em rede, pensando e compartilhando o que existe e o que está para sair dos planos e ganhar bolsos, bocas e mentalidades de todas as gentes, sem exclusão e sem piadinha.
Mesmo se destripar piabas, a pessoa fica para semente?
Recoloco os óculos, limpos das sujeirinhas que grudam nas lentes sem que a gente dê conta de evitar, feito sanguessugas na perna do piá que, por engraçadinho, se enfia no brejo. Oxe! Lá bem no fundo, e presto, este retrato suscita o contraste do urbano poluído com o suburbano já dando pinta... Ê saracura!
O espelho, embasbacado pela energia quente de um banho, permite-me grafar com o entendimento dos entusiastas:
Agorinha mesmo, vou querer as minhas novas habilitações.

Rodrigues da Silveira
Praia Grande, dia 04 de junho de 2019.


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